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O Brasil pode viver novo boom das commodities com a guerra?
A guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem lançado incerteza sobre os rumos da economia global. A alta no petróleo, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e redução na oferta dos países no Golfo Pérsico, já leva analistas a apostarem numa inflação generalizada como uma das consequências do conflito.
Além do petróleo, o choque econômico também atinge em cheio a oferta de fertilizantes, já que cerca de um terço do insumo passa por Ormuz. O impacto dessa crise nos preços ainda é incerto, mas uma alta nas commodities já vem ocorrendo nas últimas semanas.
O índice CRB, um dos principais termômetros de matérias-primas básicas como petróleo e alimentos, atingiu, a última segunda-feira (09/03), a maior cotação desde 2011.
Agora, o que ocorre com o Brasil? O país é não só o maior produtor de alimentos do mundo, como o sexto maior produtor de petróleo bruto e décimo no ranking de exportadores do combustível fóssil. Tem, assim, grande parte de sua balança comercial dependente de produtos primários.
Mas, como isso pode afetar o Brasil? O país asiático registrou, entre 2002 e 2011, uma alta do PIB acima de 9%, propulsionada principalmente pela rápida expansão industrial chinesa. Houve maior demanda por matérias-primas, o que gerou uma oportunidade para o Brasil. Foi durante esse também, em 2009, que a China se tornou o maior parceiro comercial brasileiro.
No entanto, de acordo com especialistas consultados pela DW, o cenário atual é distinto. Mesmo assim, existem possibilidades de que o Brasil se beneficie do contexto causado pelo conflito no Oriente Médio – mas não sem se livrar dos choques.
O fato de estar fora da região de conflito realmente pode fazer com que o Brasil se beneficie do cenário atual, analisa Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).
"O país se torna uma opção de investimento de forma geral, exatamente porque está longe do ponto de vista geográfico e político e tem várias oportunidades de negócios – na agricultura, na energia e diversos outros setores", aponta o economista.
Mas, no curto prazo, a situação é mais complicada. O aumento da percepção de risco nos mercados pode atingir o risco de crédito e o risco-país, impactando principalmente os países emergentes. A elevação do preço do petróleo e fertilizantes pode afetar a economia brasileira e chegar ao consumidor, com choques no valor do frete e dos alimentos, por exemplo.
Além disso, os efeitos da guerra no Irã sobre incertezas e decisões de investimento vão continuar, mesmo se o conflito chegar ao fim nas próximas semanas. As retaliações do Irã em países vizinhos no Golfo Pérsico causaram estragos em plantas energéticas e reservatórios em importantes para países como Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita.
"Essas nações têm grandes fundos soberanos, que são investidores inclusivos no Brasil – muito provavelmente, isso vai fazer com que eles reduzam esses aportes", pontua Arbache.
No entanto, mesmo que o cenário ainda seja incerto quanto a previsões, o consumidor poderá voltar a ganhar no longo prazo, com um aumento da atratividade do Brasil que impulsionará a atividade econômica, gerando mais emprego.
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O que é a inflação? O que é uma alta na balança comercial? Aqui estão as respostas
A inflação é o aumento nos preços de produtos e serviços. É medida como a variação percentual dos preços dos bens e serviços ao longo do tempo. A alta na balança comercial ocorre quando o país exporta mais do que importa, o que gera uma queda nos preços de produtos importados e um aumento nos preços de produtos exportados.
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