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https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/04/cdbs-irreais-e-carteiras-de-credito-falsas-entenda-a-crise-que-derrubou-o-banco-master-e-levou-vorcaro-a-prisao.ghtml

CDBs irreais e carteiras de crédito falsas: a crise no Banco Master

O Banco Master enfrenta uma crise severa, tendo sido liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. A nova prisão de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, sinaliza um agravamento da situação que já vinha se desenrolando há meses.

Na quarta-feira (4), Vorcaro foi detido pela Polícia Federal em São Paulo, no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e violação de dispositivos eletrônicos.

O banco estava à beira da falência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos arriscados, oferecendo juros muito acima do normal.

Várias tentativas de venda, incluindo uma proposta do Banco de Brasília (BRB), não foram adiante, devido a questionamentos de órgãos reguladores e à falta de transparência.

A crise envolve também a emissão de produtos financeiros com rendimentos exorbitantes, como os CDBs, que levantaram suspeitas sobre a saúde financeira do banco. O cenário se complicou com a busca desesperada por investidores, levando a taxas de juros altíssimas e uma corrida para a venda de títulos.

Breve história do Banco Master

Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o Banco Master evoluiu ao longo das décadas, expandindo suas operações em crédito e investimentos. Nos últimos anos, chamou atenção por oferecer produtos com rendimentos acima do mercado, atraindo muitos investidores.

No entanto, em 2022, a saúde financeira da instituição começou a ser questionada, com o aumento das taxas de captação e a exposição a ativos de risco.

Tentativas frustradas de venda

O banco ganhou destaque em março do ano passado ao negociar a venda de 58% do capital ao Banco de Brasília por cerca de R$ 2 bilhões. Contudo, a operação foi monitorada por órgãos de controle, e esclarecimentos foram exigidos.

Em meio a dificuldades financeiras, o banco buscou crédito emergencial e considerou vender seu braço digital, o Will Bank. Uma proposta de aporte de R$ 3 bilhões foi recebida, mas a liquidação decretada pelo Banco Central a tornou inválida.

Colapso e limites do FGC

A crise no Banco Master expôs fragilidades do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O banco emitiu R$ 50 bilhões em CDBs, prometendo taxas acima do mercado sem comprovar a liquidez necessária.

As investigações, iniciadas em 2024, revelaram fraudes envolvendo carteiras de crédito falsas, levantando suspeitas sobre a gestão da instituição e movimentações bilionárias.

Com a liquidação, o FGC foi acionado para ressarcir investidores, mas a capacidade de pagamento foi comprometida pela falência de outros bancos, como o Will Bank e o Banco Pleno.

Situação dos clientes

Com a liquidação, as operações do Banco Master foram encerradas. Os correntistas e investidores que tinham valores até R$ 250 mil estão protegidos pelo FGC, enquanto aqueles com valores superiores devem aguardar a publicação da lista de credores para receber pela massa falida.

Os pagamentos de empréstimos continuam a ser exigidos, mesmo com a liquidação. A situação deixou muitos clientes em um limbo financeiro, enquanto as investigações prosseguem sobre as irregularidades na gestão do banco.


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