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Aumento do PIB e a Realidade das Famílias Brasileiras
O PIB do Brasil cresceu mais de 2% em 2025, e o desemprego atingiu mínimas históricas, mas as famílias continuam enfrentando um cenário de endividamento, crédito caro e preços elevados que comprometem a renda.
Embora o crescimento econômico seja evidente, muitos brasileiros relatam uma sensação de perda de poder de compra e dificuldades financeiras. A inflação, mesmo em queda, ainda afeta significativamente o consumo, especialmente entre as famílias com menor renda.
Com 73,5 milhões de brasileiros negativados, gastos essenciais como saúde e alimentos pesam consideravelmente no orçamento. Especialistas alertam para uma desaceleração econômica, com um crescimento frágil e produtividade em declínio.
PIB em Alta, Mas Gastos em Queda
O avanço de 2,3% do PIB em 2025 não reflete a realidade de muitos brasileiros que sentem o dinheiro escasso no final do mês. A diretora de escola Cibelle menciona que, mesmo com uma renda familiar estável, a necessidade de controlar gastos é constante, especialmente em supermercados.
Para equilibrar as contas, ela reduziu saídas e cortou despesas com lazer, utilizando reservas de 2020 para cobrir o dia a dia.
A aposentada Maria Madalena também fez ajustes, trocando carne bovina por frango e priorizando compras parceladas, evidenciando a sensação de perda de poder de compra.
Desaceleração Econômica
Os dados do IBGE revelam que o consumo das famílias, que representa mais de 60% da atividade econômica, cresceu apenas 1,3% em comparação ao 5,1% do ano anterior. Essa desaceleração indica um descompasso entre renda e gastos.
Apesar do baixo desemprego, com uma média de 5,6% em 2025, e um rendimento real recorde de R$ 3.560, a economia avança em ritmo lento, dependendo cada vez mais da renda do trabalho.
Desafios da Inflação
A inflação tem sido um desafio constante. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, o melhor resultado desde 2018, mas ainda representa um aumento nos preços, não uma queda.
O aumento da taxa básica de juros, que chegou a 15%, impactou diretamente o consumo, especialmente de bens duráveis que dependem de crédito.
Pressão sobre os Itens Essenciais
Enquanto o desemprego diminui, os preços dos itens essenciais continuam altos, afetando principalmente as famílias mais vulneráveis. A auxiliar de limpeza Edivânia enfrenta dificuldades em pagar contas básicas, enquanto aposentados como Sebastiana sentem o impacto das despesas crescentes em saúde e alimentação.
Mesmo aqueles com renda estável, como o psicólogo Mauro, notam um aumento nas despesas com saúde, levando a cortes em outras áreas.
Aumento do Endividamento
O endividamento é uma preocupação crescente, com 73,5 milhões de consumidores negativados, o que representa quase 45% da população adulta. O uso do cartão de crédito, com taxas consideradas abusivas, tem contribuído para essa situação.
Consumidores como o assistente de e-commerce David passaram a planejar cada compra e evitar gastos excessivos, enquanto a médica Lara Lobo ajustou seu orçamento para priorizar a poupança.
Desigualdade no Crescimento Econômico
O crescimento econômico não tem sido uniforme entre setores. Apesar da queda no desemprego, alguns setores, como construção civil, enfrentam dificuldades. A agropecuária, que cresceu mais de 10% em 2025, ajudou a compensar a perda de dinamismo em outras áreas.
Os investimentos, embora tenham avançado, são impulsionados em grande parte pela importação de plataformas de petróleo, refletindo uma economia com bases frágeis.
Perspectivas para 2026
As expectativas para 2026 apontam para uma desaceleração, com um crescimento semelhante ou até inferior ao de 2025. A agropecuária, que teve um desempenho excepcional, deve perder ritmo, enquanto a incerteza no ambiente eleitoral pode afetar as contas públicas e atrasar investimentos.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode oferecer algum alívio, mas o impacto da redução da taxa de juros no crédito ainda levará tempo para se manifestar.
O cenário permanece complexo, com indicadores macroeconômicos positivos coexistindo com a sensação de aperto no cotidiano dos brasileiros.
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