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Gasolina, indústria e agro: impacto da guerra no Irã no bolso do brasileiro

A intensificação do conflito no Oriente Médio já resultou em um aumento significativo nos preços do petróleo e pode levar a uma valorização do dólar. Especialistas estão preocupados com uma possível pressão sobre a inflação, que havia se mostrado controlada.

Em apenas um dia, o dólar subiu para R$ 5,15, enquanto o petróleo Brent teve um aumento de 7,5%, aproximando-se de US$ 80. Esse cenário pode elevar os preços dos combustíveis e da energia, afetando diretamente o transporte, a indústria e o agronegócio em um curto período.

Se essa alta se mantiver, o Banco Central pode decidir não reduzir a taxa de juros, mantendo a Selic em um patamar elevado, o que pode desacelerar ainda mais a economia.

A gasolina, que representa 5% do IPCA, é um dos principais componentes da inflação. O agronegócio, por sua vez, enfrenta dificuldades devido à importação de fertilizantes do Irã.

Apesar da gravidade da situação, especialistas alertam que é prematuro prever a evolução do conflito e suas repercussões econômicas.

O preço do petróleo no mercado internacional teve um salto após as ações dos EUA e de Israel contra o Irã. Desde o final de 2025, a commodity subiu 27,5%, impactando diretamente os custos de produção e logística, já que o petróleo é essencial para combustíveis e diversos insumos.

A alta do preço do diesel pode aumentar os custos de frete, refletindo no preço de produtos transportados. Além disso, o agronegócio enfrenta desafios com o aumento do custo dos fertilizantes químicos importados do Irã, que representaram 93,5% das importações brasileiras desse tipo em janeiro.

As termelétricas, que dependem de combustíveis, também podem ser afetadas, especialmente em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos.

Por outro lado, a alta nos preços do petróleo pode beneficiar a balança comercial do Brasil, dado que o país é um grande exportador da commodity. Isso pode resultar em um ajuste no preço da gasolina, que tende a acompanhar a tendência do petróleo.

Em momentos de instabilidade geopolítica, o dólar frequentemente se valoriza, tornando-se uma opção de segurança para investidores. Essa valorização pode aumentar a pressão inflacionária devido aos custos de insumos importados.

Embora a magnitude do impacto do dólar dependa de sua valorização contínua, esse fator é crucial para a definição da política de juros do Banco Central.

Uma postura mais rígida do BC dependerá da evolução do conflito. Caso a situação persista, ajustes na política de juros poderão ser necessários, mas isso dependerá do impacto inflacionário gerado pelos preços do petróleo.

Ainda é cedo para prever como o conflito se desenrolará, e o mercado continuará acompanhando os desdobramentos.


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