https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/02/divida-da-paramount-chegara-a-us-79-bilhoes-apos-acordo-com-warner-bros.ghtml
Dívida da Paramount alcançará US$ 79 bilhões com fusão com a Warner Bros
A Paramount anunciou que a fusão com a Warner Bros Discovery resultará em uma dívida total de aproximadamente US$ 79 bilhões (cerca de R$ 410,8 bilhões). A empresa também afastou qualquer possibilidade de venda ou separação de seus canais de TV por assinatura.
Durante uma teleconferência com analistas, o CEO da Paramount, David Ellison, afirmou que as duas empresas unificarão seus serviços de streaming, como Paramount+ e HBO Max, em uma única plataforma.
Ellison destacou que, juntos, os serviços atenderão mais de 200 milhões de assinantes diretos em mais de 100 regiões, oferecendo maior escala e competitividade em relação à Netflix.
A fusão foi concretizada com um acordo de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 572 bilhões), equivalente a US$ 31 (cerca de R$ 161,20) por ação, após a Netflix recusar-se a aumentar sua oferta.
A expectativa é que essa aquisição gere uma economia de mais de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 31,2 bilhões) em custos, principalmente por meio da integração das plataformas de tecnologia e provedores de nuvem. Essa meta de economia supera a sinergia de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões) prometida pela Netflix, o que levantou preocupações sobre possíveis demissões e cortes na produção de conteúdo.
A fusão também reunirá marcas icônicas, como CBS, MTV, Comedy Central e BET, da Paramount, com redes da Warner, como CNN, TNT e Food Network. O novo conglomerado contará com um vasto acervo de propriedades intelectuais, incluindo franquias de sucesso como Game of Thrones, Missão Impossível, Harry Potter, Top Gun, o Universo DC e Bob Esponja.
Ellison ressaltou que a HBO continuará a ter recursos e autonomia para manter sua excelência no mercado.
O financiamento da aquisição será garantido por US$ 54 bilhões (cerca de R$ 280,8 bilhões) em compromissos de dívida de instituições financeiras como Bank of America, Citigroup e Apollo. Isso inclui US$ 39 bilhões em novas dívidas e US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 78 bilhões) para refinanciar a linha de crédito-ponte da Warner Bros.
No final do ano passado, a Warner Bros Discovery tinha uma dívida líquida de US$ 29 bilhões (aproximadamente R$ 150,8 bilhões), enquanto a Paramount registrava US$ 10,36 bilhões (cerca de R$ 53,9 bilhões).
A competição pelos ativos da Warner Bros se intensificou nos últimos meses, com a Paramount e a Netflix fazendo ofertas concorrentes. A Netflix havia fechado um acordo para adquirir esses ativos por US$ 27,75 por ação, totalizando US$ 82,7 bilhões, mas acabou desistindo após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount mais vantajosa.
A fusão elimina incertezas sobre a cisão das redes de TV a cabo que seriam mantidas pelos acionistas da Warner na proposta da Netflix, reduzindo os riscos associados.
É esperado que a nova empresa produza pelo menos 30 filmes para cinema anualmente, mantendo as operações dos estúdios Warner Bros e Paramount.
Recentemente, a Paramount pagou uma multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões, que a Warner devia à Netflix. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano.
Analistas acreditam que a fusão deve passar facilmente pela aprovação antitruste da União Europeia, com possíveis desinvestimentos sendo mínimos. A Paramount, sob a liderança de David Ellison, possui laços significativos com o governo Trump, o que pode favorecer sua posição regulatória.
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