https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/03/13/produtores-rurais-relatam-precos-abusivos-e-dificuldade-de-encontrar-diesel-em-plena-colheita-no-rs-e-pr.ghtml
Produtores rurais relatam dificuldade para comprar diesel em plena colheita no RS e PR
Relatos ocorrem em meio à disparada do preço do petróleo no mercado internacional. Produtores suspeitam de movimento especulativo no mercado.
Por Paula Salati, g1 — São Paulo
13/03/2026 01h00 Atualizado 13/03/2026
Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam dificuldade para comprar diesel para abastecer máquinas agrícolas e denunciam aumentos “abusivos” no preço do combustível em pleno período de colheita de arroz e de soja.
As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional.
A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.
A alta de preço é real, mas a Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que não existe problema de falta de combustível.
Imagem de uma colheita de arroz em abril de 2024. — Foto: Celso Tavares / g1
Dificuldade de abastecimento e aumentos de preço
A maioria dos produtores rurais não possui estrutura para armazenar grandes volumes de combustível e, por isso, depende de entregas contínuas de diesel, diz Rechsteiner. Esse abastecimento é feito por empresas conhecidas como Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs).
"Elas atuam como revendedoras: compram o combustível das grandes distribuidoras para entregá-lo diretamente nas propriedades rurais", explica o diretor do SindTRR, no RS, Carlos Schneider.
O diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte de alimentos.
Ele explica que o que tem acontecido no estado é que as TRRs não estão recebendo combustível das distribuidoras.
Produtos rurais e a disparada do preço
Segundo ele, o recado que as empresas têm recebido das distribuidoras é de que há indisponibilidade do produto para as TRRs.
Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda
Dificuldade de exportação
Já em Erechim, norte do RS, cerca de 20% dos produtores enfrentam dificuldades para encontrar óleo diesel, conta o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan André Tormen. "Todos relatam alta de preço que varia 20% a 55%", acrescenta.
As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional. A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.
Biodiesel para frear a escalada de preços
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME), na sexta (6), o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 17%.
"O avanço da mistura de biodiesel representa uma medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, explica no ofício o presidente da CNA, João Martins.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), SindTRR e Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) defenderam, em nota, a liberação da importação de biodiesel até o limite de 20% da demanda nacional.
Preços e desabastecimento
Imagens capturam a disparada do preço do diesel em plena colheita.
← Voltar para as notícias