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Família de Preta Gil reivindica R$ 370 mil de padre por intolerância religiosa
A família da cantora Preta Gil prossegue com uma ação judicial contra o padre Danilo César, buscando R$ 370 mil em danos morais por suposta intolerância religiosa. O caso se originou de comentários feitos pelo padre durante uma homilia em Areial, no Agreste da Paraíba. O processo está em andamento na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, sob a supervisão do juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres. Isso ocorre mesmo após o religioso ter assinado um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) na esfera criminal.
A ação cível foi iniciada em 5 de novembro e avança paralelamente ao processo criminal que resultou em um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Pelo acordo, o padre reconheceu sua conduta ilícita e se comprometeu a realizar atividades educativas sobre racismo religioso e participar de um evento religioso em fevereiro deste ano.
Entretanto, a defesa da família alega que o padre não assumiu a responsabilidade em sua defesa no processo civil. Ele argumentou que suas declarações eram apenas uma manifestação de fé, ao associar a morte da artista a práticas de religiões afro-indígenas. Os advogados de Gilberto Gil, pai de Preta Gil, apontam uma contradição entre o reconhecimento feito no acordo criminal e a postura do padre na esfera cível. A família busca, além da compensação financeira, um reconhecimento formal da conduta do padre.
O advogado do padre, Rodrigo Rabello, confirmou que a defesa já foi apresentada e o processo aguarda a fase de réplica, onde a família poderá contestar os argumentos apresentados. Por sua vez, Fredie Didier, advogado da família, argumenta que o acordo judicial implica um reconhecimento da conduta, e qualquer negativa posterior pode ser vista como descumprimento da decisão. A defesa do padre enfatiza que os processos são independentes e que o acordo com o MPF não implica admissão de prática criminosa.
O incidente que motivou a ação ocorreu em 27 de julho, durante uma missa transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube. Na homilia, o padre Danilo César fez menções à morte de Preta Gil nos Estados Unidos, associando sua fé em religiões afro-indígenas ao falecimento da cantora. Durante sua fala, ele questionou: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”. Ele também descreveu as práticas religiosas afro-indígenas como “coisas ocultas” e expressou o desejo de que “o diabo levasse” aqueles que as buscassem.
As declarações foram vistas como preconceituosas por representantes de religiões de matriz africana na região, levando a Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria a registrar uma ocorrência por intolerância religiosa. Após a repercussão, o padre foi afastado de suas funções na Paróquia de São José.
Atualmente, não há informações sobre a transferência do padre para outra paróquia. A Diocese de Campina Grande informou que ele continua sob monitoramento, enquanto são cumpridos os procedimentos do Direito Canônico e os compromissos assumidos judicialmente. A Diocese reafirmou seu compromisso com o respeito à dignidade humana, mas não divulgou uma data para o retorno do padre às atividades.
A ação cível prossegue e deve avançar após a apresentação da réplica, etapa que poderá definir os próximos passos do caso.
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