Haddad: aumento de imposto de importação de mais de mil produtos não impactará preços
Haddad afirma que aumento de imposto de importação não afetará preços
25/02/2026 23h00
Atualizado 12 minutos atrás
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que o recente aumento das alíquotas do imposto de importação de mais de mil produtos eletrônicos tem como objetivo principal a regulação e não resultará em aumento de preços para os consumidores.
Recentemente, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) decidiu aumentar as alíquotas do imposto de importação de diversos itens, incluindo bens de capital e produtos de informática e telecomunicação, como smartphones, freezers e painéis de LED.
Durante uma entrevista a jornalistas, o ministro afirmou que a medida não possui análise de impacto econômico, ressaltando que mais de 90% dos produtos afetados são fabricados no Brasil. “Esses itens seguem a legislação brasileira e não têm relação com a nova alíquota”, explicou.
A oposição, segundo Haddad, tem mencionado os smartphones, mas ele ressaltou que a maioria deles é produzida na Zona Franca de Manaus. O ministro criticou a postura da oposição, afirmando que ela se opõe ao regime fiscal diferenciado.
Ele também esclareceu que, caso um produto seja fabricado fora do Brasil e não tenha similar nacional, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pode zerar o imposto de importação. “O que realmente essa medida impacta? Ela afeta empresas estrangeiras que não produzem localmente. Portanto, estamos falando de uma porcentagem de 5% a 9%”, comentou.
Haddad reiterou que a decisão visa proteger a produção nacional e que a ideia de que isso encareceria os produtos é falsa. “A maioria dos produtos é fabricada aqui, e a medida visa impedir que empresas estrangeiras utilizem artifícios para competir deslealmente”.
Questionado sobre a possibilidade de rever a resolução, o ministro afirmou que o MDIC tem a autoridade para zerar o imposto sempre que necessário.
Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões devido ao aumento do imposto de importação, valor que foi incorporado ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). Como se trata de um tributo extrafiscal, as alíquotas podem ser alteradas pelo Executivo sem a necessidade de aprovação legislativa.
Haddad confirmou que as novas medidas devem gerar os R$ 14 bilhões em receitas, enfatizando que não haverá impacto nos preços, já que a maior parte dos celulares consumidos no Brasil é fabricada localmente.
O ministro também criticou a oposição, afirmando que ela parece torcer mais para interesses estrangeiros do que para a geração de empregos no Brasil. Ele lembrou de um episódio anterior envolvendo a taxação do Pix, expressando sua indignação com a propagação de fake news que beneficiaram o crime organizado.
Sobre a questão dos supersalários no funcionalismo público, Haddad manifestou interesse em discutir a proposta de emenda à Constituição (PEC) relacionada, considerando-a uma boa oportunidade para um debate mais amplo no Congresso.
Ele destacou que a agenda econômica tem sido uma prioridade desde o início do governo e que é essencial abordar a questão orçamentária relacionada aos supersalários, que atualmente custam cerca de R$ 20 bilhões anuais.
Por fim, em relação ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Haddad expressou otimismo quanto à aprovação no Senado, lembrando que é um processo de 25 anos liderado pelo presidente Lula. Sobre o decreto de salvaguardas agrícolas, o ministro informou que não tinha detalhes, pois estava em viagem com o presidente.
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