Guia pós-sol: saiba como tratar queimaduras leves e quando ir ao médico
Com o aumento das temperaturas, o prazer de aproveitar um dia ensolarado pode rapidamente se transformar em um desconforto intenso. A pele avermelhada e aquecida indica uma queimadura solar leve, que, se não tratada adequadamente, pode resultar em infecções e manchas permanentes.
O biomédico Thiago Martins, especialista em Medicina Estética, e o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, discutem como cuidar da pele após esses episódios e quais erros evitar.
Um dos principais equívocos é ignorar a ardência inicial e continuar se expondo ao sol. Segundo Thiago, o tratamento deve ser iniciado assim que o dano for percebido. "A primeira ação é interromper qualquer nova exposição solar e começar a resfriar a pele", afirma.
"Em casa, lave suavemente a área com água fria (não gelada) e um sabonete suave para remover suor, sal ou resíduos de cosméticos. Após isso, aplique um produto calmante com ação anti-inflamatória, como loções com aloe vera ou pantenol. Evite fricção e roupas apertadas na área afetada", orienta.
O uso de compressas frias é benéfico, mas deve ser feito com cautela.
"As compressas frias ajudam a reduzir a inflamação e a aliviar a ardência, especialmente nas primeiras horas, mas a temperatura deve ser fresca (cerca de 15 a 20 °C). O uso de gelo diretamente na pele pode causar vasoconstrição intensa ou até queimadura", alerta.
As receitas caseiras também podem trazer riscos. Em situações de queimaduras leves, é comum ouvir dicas como usar pasta de dente ou manteiga. Thiago condena essas práticas.
"Essas opções são contraindicadas e podem piorar a lesão. A pasta de dente contém mentol e detergentes que irritam a pele. Manteigas e óleos vegetais criam uma camada oclusiva que retém o calor e favorece infecções. O vinagre, sendo ácido, pode corroer a pele danificada. Essas substâncias não têm eficácia terapêutica comprovada e podem atrasar a cicatrização", explica.
Para uma recuperação eficaz, o especialista indica ativos recomendados: Pantenol (regenerador), Aloe Vera (calmante), Niacinamida (anti-inflamatória), Madecassoside (cicatrizante) e Bisabolol (suavizante).
A remoção da pele descamada deve ser evitada. Lucas esclarece que esse processo é natural, mas a intervenção pode ser perigosa.
"A remoção manual da pele ou o uso de esfoliantes pode causar microlesões, sangramentos e infecções, retardando a cicatrização. O ideal é manter a pele hidratada com cremes restauradores e deixar que o descascamento ocorra espontaneamente. Evitar a exposição solar durante esse período é fundamental para prevenir hiperpigmentações", afirma.
A hidratação também desempenha um papel crucial. Lucas destaca que a queimadura provoca uma perda de água invisível pela pele. "Manter uma hidratação oral adequada é essencial para preservar a função da barreira cutânea, facilitar a renovação celular e acelerar a cicatrização. É recomendável beber água regularmente ao longo do dia, mesmo sem sede".
Nem todos os casos podem ser resolvidos apenas com cuidados caseiros. Lucas alerta que a presença de bolhas extensas, febre, calafrios, dor intensa, náuseas ou confusão mental são sinais de alerta para queimaduras de segundo grau ou insolação.
"Nesses casos, é crucial buscar atendimento médico imediato. Queimaduras em áreas extensas ou em grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, também precisam de avaliação especializada", acrescenta.
A recuperação total exige paciência. Os especialistas afirmam que a pele leva de 5 a 10 dias para se recuperar visualmente, mas a barreira de proteção pode permanecer vulnerável por até duas semanas.
"É aconselhável evitar a exposição solar direta durante esse período e, ao retornar ao sol, usar roupas protetoras, chapéus e reaplicar o filtro solar a cada 2 horas", conclui o especialista.
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