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Guadalajara busca tranquilizar torcedores após violência a 100 dias do início da Copa do Mundo

Guadalajara busca tranquilizar torcedores após recente violência

Publicado em 02/03/2026 às 08:00

A cidade de Guadalajara, no México, está se esforçando para acalmar os torcedores a 100 dias do início da Copa do Mundo. A preocupação surge após a violência que se seguiu à morte do narcotraficante Nemesio "El Mencho" Oseguera, que abalou a região na semana passada.

Tanto o governo local quanto a FIFA afirmam que as condições estão adequadas para que a segunda maior metrópole do país receba jogos do torneio e da repescagem intercontinental, marcada para o fim de março, onde seis seleções lutarão por duas vagas.

Após ser o centro de uma retaliação do Cártel Jalisco Nueva Generação (CJNG), a cidade começa a retomar suas atividades, uma semana depois da onda de violência que resultou em mais de 70 mortes.

A ação dos narcotraficantes incluiu bloqueios de estradas, veículos incendiados e um clima de terror generalizado, a três meses do maior evento de futebol do mundo, que será coorganizado pelo México, Estados Unidos e Canadá.

"Todos estarão preparados em termos de segurança antes do início da Copa do Mundo", assegurou Silvia Rivera, uma professora aposentada de 68 anos, ao comentar sobre o retorno à normalidade na cidade.

A capital do estado de Jalisco foi a mais atingida pela violência após a morte de Oseguera, por quem os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 77 milhões).

Entretanto, a violência não se restringiu a Guadalajara, que sediará quatro jogos, incluindo um confronto entre Uruguai e Espanha. O caos se espalhou por 20 dos 32 estados do México, mas as outras cidades-sede, Cidade do México e Monterrey, não relataram incidentes.

A presidente Claudia Sheinbaum tranquilizou os turistas, afirmando que chegarão a um lugar seguro e pacífico. Em contato com Gianni Infantino, presidente da FIFA, ela garantiu que o país já havia retornado à normalidade.

Antes da violência, as autoridades de Jalisco haviam detalhado que a segurança durante o torneio seria reforçada com drones, bloqueadores de sinal e videovigilância com inteligência artificial, aumentando o número de câmeras de 7.000 para 13.000.

Após o ataque do cartel, questionamentos sobre medidas adicionais não foram respondidos pelas autoridades, enquanto a população tenta voltar à rotina.

Missael Robles, um guia turístico de 31 anos, notou um retorno gradual dos visitantes, apesar do cancelamento de passeios por alguns dias. "Não falta otimismo", disse ele, ao levar turistas a locais como Tequila e Chapala.

A recente violência do CJNG não é a única preocupação em Guadalajara, que enfrenta um alto índice de desaparecimentos, um problema que se intensificou desde o início de uma operação militar contra o tráfico de drogas em 2006.

Em Jalisco, descobriram-se pelo menos 300 valas clandestinas com corpos, incluindo áreas próximas ao Estádio Akron, onde ocorrerão jogos da Copa do Mundo. A principal hipótese para os desaparecimentos é o recrutamento forçado por organizações criminosas, segundo Carmen Chinas, professora da Universidade de Guadalajara.

Grupos de busca planejam protestos durante o torneio, e as autoridades reconhecem que isso pode representar um risco. Recentemente, na Cidade do México, manifestantes exibiram faixas com mensagens que alertam sobre as valas e as tropas.

Em Guadalajara, José Raúl Servín, um garçom de 54 anos, está à procura de seu filho Raúl, desaparecido desde abril de 2018. Ele expressa sua tristeza com a proximidade da Copa, relembrando que seu filho era um grande fã de futebol. "Se ele estivesse aqui, estaria feliz", lamenta.


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