Gritzbach foi sócio de alvo de megaoperação contra PCC e ameaçado por 'figura-chave' do esquema
Megaoperação investiga esquema financeiro do PCC
Uma grande operação policial realizada em dez estados do Brasil focou na estrutura financeira do PCC, que é acusada de lavar bilhões através de empresas de fachada e fintechs. Ricardo Romano, um dos principais envolvidos, teria ameaçado de morte um delator da facção. José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, é considerado um financiador do tráfico. A ação, que envolveu 350 alvos, investigou fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
O delator do PCC, assassinado em novembro do ano anterior no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, era sócio de um dos investigados na Operação Carbono Oculto. Ele também foi ameaçado por uma figura identificada como central no esquema. A operação, realizada nesta quinta-feira, teve como objetivo desmantelar a rede que supostamente lavava bilhões de reais por meio da cadeia produtiva de combustíveis e outras fraudes.
Documentos da 2ª Vara Criminal de Catanduva, que analisa as denúncias do Ministério Público de São Paulo, revelam os vínculos empresariais de Gritzbach com Alemão e seu passado conturbado com Ricardo Romano. Gritzbach informou ter sido ameaçado por Romano, enquanto a investigação mostra que ele foi sócio de Gonçalves, embora não especifique o setor em que atuavam.
Os investigadores afirmam que Gritzbach tinha ligações potenciais com a lavagem de dinheiro do PCC e foi assassinado. O GLOBO tenta contato com as defesas de Romano e Gonçalves.
Conforme as investigações, Mohamad Hussein Mourad, o "primo" ou "João", ligado ao grupo Aster/Copape, é descrito como o "epicentro das operações". Ele é apontado como chefe de uma organização que utilizava diversas empresas para fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, formando uma rede criminosa com familiares e sócios.
Romano é considerado uma "figura-chave" do esquema, com vínculos diretos a empresas de Mourad, incluindo postos de combustíveis. As autoridades afirmam que ele está explicitamente relacionado a atividades de lavagem de dinheiro e possui conexões com o PCC.
Além disso, a Receita Federal aponta que Romano fez declarações fiscais fraudulentas, criando um patrimônio artificial para justificar aquisições. Ele declarou ter recebido dividendos de postos em que não era sócio no período.
A investigação ainda revelou que a irmã de Mourad, Amine, possuía uma rede de conveniências que foi extinta de forma sincronizada em 2023, sendo substituída por um grupo sem perfil empresarial, posteriormente renomeado por Romano.
Em 2024, Romano transferiu a sociedade de 18 conveniências para um suposto testa de ferro. A acusação sugere que o GROUP POTENZA serviu como uma camada para ocultar sua relação com Amine, que detinha as conveniências anteriormente.
Romano é titular de pelo menos 17 postos de combustíveis, tendo assumido quatro em endereços onde Amine atuava.
José Carlos Gonçalves, o Alemão, também é visto como uma figura central no esquema devido a seus vínculos com atividades ilícitas, especialmente relacionadas à lavagem de dinheiro e ao PCC. Ele é suspeito de atuar como financiador do tráfico.
O esquema de Gonçalves é caracterizado por uma rede de conexões e ocultação de recursos ilícitos, envolvendo a família Salomão e a Rede Boxter. Seus irmãos, Maria Luiza e João Carlos Gonçalves, sucederam-no nas empresas.
Os mandados de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto foram cumpridos nesta quinta-feira em endereços ligados a Alemão e Romano, abrangendo mais de 350 alvos.
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