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Grêmio tenta quebrar marasmo do mercado para dar nome ao seu estádio

Grêmio busca inovar no mercado com naming rights do estádio

28/02/2026 05h00
Atualizado há 16 horas

O Grêmio está empenhado em reposicionar o clube no cenário nacional. Depois de assumir a gestão total da sua arena, a diretoria está focada na venda dos naming rights do estádio, visando aumentar receitas em um período de estagnação desse modelo no Brasil. A iniciativa busca romper com a inércia recente do setor e reinserir o Tricolor gaúcho no panorama das grandes propriedades comerciais do futebol brasileiro.

O presidente Odorico Roman afirmou que a intenção é aumentar consideravelmente as receitas por meio de uma ampla reformulação na área comercial. A venda do nome da arena é considerada uma peça central dessa estratégia. No Campeonato Brasileiro de 2026, seis estádios iniciaram a competição com naming rights ativos, sendo quatro deles pertencentes a clubes.

Entre as propriedades já consolidadas estão o Palmeiras, com o Allianz Parque; o São Paulo, com o Morumbi; o Corinthians, com a Neo Química Arena; e o Atlético Mineiro, com a Arena MRV. Dentre os estádios públicos, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova é um exemplo de parceria ativa.

O número de contratos poderia ser maior. A Ligga Arena, do Athletico Paranaense, teve seu contrato suspenso para revisão e ainda não retomou o acordo. No total, o Brasil conta com dez arenas com naming rights, incluindo a Arena BRB Mané Garrincha, o Mercado Livre Arena Pacaembu, a Casa de Apostas Arena das Dunas e a Arena Nicnet. Juntos, os contratos superam R$ 2 bilhões ao longo de suas vigências.

Anderson Nunes, Head de Negócios da Casa de Apostas, acredita que essa movimentação é uma evolução natural da presença da empresa em marketing esportivo, destacando que a migração para outros serviços é uma forma de se diferenciar no mercado.

“Era necessário um movimento inovador, além do desejo de se aproximar do público do entretenimento, considerando que as novas arenas são multiuso e capazes de receber eventos de diversos portes e perfis”, enfatizou o executivo.

Apesar do avanço histórico, o setor perdeu ímpeto. Um exemplo emblemático é o do Maracanã. Em 2025, o consórcio Fla Flu recebeu uma proposta de R$ 55 milhões anuais pelos naming rights, considerada excelente e que tornaria o estádio o mais valioso do país nesse aspecto. A meta inicial era de R$ 75 milhões por temporada. No entanto, a negociação ainda depende de análises técnicas do Governo do Rio de Janeiro e da Casa Civil, não tendo sido formalizada, embora já esteja apalavrada.

Atualmente, o maior contrato anual em vigor é o do Pacaembu, que vendeu o nome ao Mercado Livre por R$ 33,3 milhões por ano em um acordo de 30 anos. Entre os clubes da Série A, o São Paulo recebe R$ 30 milhões anuais pelo Morumbi. Palmeiras e Corinthians têm contratos de R$ 15 milhões por temporada cada. A Arena Fonte Nova gera R$ 13 milhões por ano, enquanto a Arena MRV garante R$ 6 milhões anuais.

O mercado brasileiro começou tardiamente nesse segmento. O primeiro acordo foi firmado em 2005, quando o então estádio do Athletico PR foi batizado pela japonesa Kyocera. O contrato mais duradouro em vigor é o do Palmeiras com a Allianz, assinado em 2013. Desde então, o modelo se expandiu, mas não com o ritmo esperado nos últimos anos.

É nesse contexto que o Grêmio busca se movimentar. Ao assumir a gestão completa de sua arena, o clube ganha autonomia para negociar diretamente com o mercado e estruturar um projeto que envolva não apenas a exposição da marca, mas também experiências, ativações e a utilização do estádio como um espaço multiuso. Se conseguir um acordo robusto, o Tricolor pode não apenas fortalecer seu caixa, mas também reacender um mercado que, apesar de bilionário, está vivendo um momento de espera.


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