GPA e Raízen: o que a recuperação extrajudicial indica e o que esperar para as ações?
GPA e Raízen: o que a recuperação extrajudicial indica e o que esperar para as ações?
11/03/2026 13h26
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Atualizado 8 minutos atrás
Na mesma semana, duas "recuperações extrajudiciais" de grandes empresas da Bolsa brasileira entraram no radar do mercado e levaram a questionamentos para os investidores.
Na última terça, o GPA (PCAR3) anunciou acordo com seus principais credores com o plano que abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
"Ficam expressamente excluídas obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas", afirmou a empresa.
Os produtores que estavam próximos das usinas, negociando com margens e preços ótimos, podem ser estrangulados com a redução de custos que a Raízen deve fazer para criar volume no caixa, os deixando sem muitas opções de negociação. Por consequência, os produtores podem acabar quebrando, porque os custos para migrar de usina pode ser inviável. Outro ponto dentro da Raízen é a conversão de dívida em participação societária, o que pode não ser atrativo tendo em vista os contínuos resultados negativos da empresa, que apresenta déficit há anos e não há sinais de reação ou de mudanças.
Pedro Galdi, analista CNPI do AGF, ressalta que há uma fase de desconfiança que cresce em operações de crédito. "Quanto mais empresas se utilizarem de ferramentas de proteção, como os recentes casos da GPA e Raízen, mais o mercado será mais seletivo", aponta.
Gustavo Moreira, especialista em Investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, aponta que, no curto prazo, espera movimentos bastante abruptos para os papéis PCAR3. "Em situações de recuperação judicial, normalmente o mercado reage com cautela, porque aumenta a incerteza sobre o valor da empresa e sobre possíveis diluições ou renegociações com credores", avalia.
Ainda assim, recomenda tratar esse investimento como uma posição altamente especulativa, adequada apenas para investidores experientes, plenamente conscientes dos riscos envolvidos. "Particularmente, não acredito em um cenário de quebra da companhia, dado o tamanho da operação e a relevância estratégica do grupo", aponta.
Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.
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