infomoney

Governo aumenta Imposto de Importação de 1,2 mil itens para melhorar contas externas

Aumento do Imposto de Importação afeta mais de 1.200 produtos

25/02/2026 09h49

Atualizado há 2 minutos

O governo implementou um aumento no Imposto de Importação sobre mais de 1.200 itens, incluindo celulares, televisores, computadores e equipamentos para data centers, como CPUs. Essa medida visa enfrentar a deterioração das contas externas do Brasil, em um cenário marcado pelo crescimento das importações e pela redução do superávit comercial.

De acordo com o governo, não haverá "impactos relevantes" nos preços ao consumidor, e a decisão busca proteger cadeias produtivas que dependem de insumos importados.

Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), destacou que o aumento das tarifas é uma tentativa de corrigir distorções que têm pressionado o setor externo e enfraquecido a indústria nacional.

O superávit comercial, segundo Moreira, caiu de cerca de US$ 77 bilhões para aproximadamente US$ 65 bilhões no ano anterior, enquanto o déficit em transações correntes atingiu cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Quando há um volume significativo de benefícios que incentivam a importação, isso gera desequilíbrio nas contas externas do Brasil, afirmou Moreira.

Ele respondeu às críticas de importadores que alertaram sobre um possível aumento de preços e comprometimento de cadeias produtivas. Moreira exemplificou com o setor de celulares, que é considerado sensível.

Atualmente, 95% dos celulares consumidos no Brasil são fabricados nacionalmente. Para produtos sem produção local, a tarifa de importação permanece zerada.

Moreira também destacou que insumos, peças e componentes usados pela indústria nacional continuam a ter benefícios de regimes especiais, como o ex-tarifário. O aumento das alíquotas não foi uniforme, afetando apenas bens com produção nacional, corrigindo uma desvantagem competitiva da indústria brasileira em relação aos produtores estrangeiros.

Havia um crescimento das importações acima de 30%, mesmo com a produção nacional, devido a essa disparidade competitiva, afirmou.

No que diz respeito aos equipamentos para data centers, o governo busca garantir previsibilidade para investimentos. O programa Redata prevê mais de R$ 7 bilhões em incentivos fiscais.

Esses investimentos terão uma lista de produtos que poderão ser importados com tarifa zero por cinco anos, mesmo que surja produção nacional nesse período, para assegurar a necessária previsibilidade.

Para evitar impactos sobre mercadorias já contratadas, o governo abriu uma janela até 30 de março para pedidos de ex-tarifário nos casos em que a alíquota aumentou de zero para 7%.

O benefício será concedido de maneira imediata, enquanto o processo de ex-tarifário é analisado.

A medida foi amplamente estudada, focando no fortalecimento da cadeia produtiva nacional, na preservação de emprego e renda, e na redução das pressões sobre as contas externas do Brasil.

A decisão, aprovada na Câmara de Comércio Exterior, aumentou o Imposto de Importação para 1.252 produtos, incluindo computadores, celulares, componentes eletrônicos, equipamentos de telecomunicações e máquinas. As novas alíquotas incidem sobre bens com produção no Brasil, enquanto itens sem fabricação nacional mantêm a tarifa zero.

Importadores contestaram a decisão, alertando para o risco de aumento de preços, encarecimento de investimentos e problemas no abastecimento de insumos, especialmente em setores intensivos em tecnologia.

Representantes do setor afirmam que o aumento das tarifas pode elevar custos ao longo da cadeia produtiva, afetar a competitividade e dificultar a modernização de empresas que dependem de equipamentos e componentes importados, mesmo que o governo argumente que regimes especiais e exceções minimizam esses impactos.


← Voltar para as notícias