Renato Casagrande

Governador do ES exonerou delegado após investigação detectar suspeitas sobre juiz federal

Exoneração de Delegado no Espírito Santo Após Investigação

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), exonerou um delegado envolvido em uma investigação que levantou suspeitas sobre o juiz federal Macário Júdice. A medida ocorreu no final do ano passado, após a Polícia Civil identificar atividades potencialmente irregulares do magistrado.

Além do delegado, outros agentes que participaram da apuração também foram transferidos. As mudanças aconteceram logo após a finalização do relatório que indiciou um empresário, cujas conversas com o juiz foram consideradas comprometedoras.

O secretário de Segurança do estado, Leonardo Damasceno, afirmou que tanto ele quanto o governador não tinham conhecimento das interações suspeitas envolvendo o juiz. Ele atribuiu as exonerações a um desgaste nas relações entre a equipe de investigação e o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.

A relação entre Casagrande e Júdice é objeto de um pedido de inquérito pela Polícia Federal junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em outra investigação, foram encontradas conversas no celular do juiz que poderiam sugerir uma troca de favores ilícita.

A Operação Baest, deflagrada em maio de 2025, visou o "braço financeiro" de uma facção criminosa e teve como alvo o empresário Adilson Ferreira. O relatório da operação foi concluído em setembro de 2025, resultando no indiciamento de Ferreira por lavagem de dinheiro. Após essa data, quatro delegados que assinaram o relatório foram afastados.

O delegado-geral decidiu remover Alan Moreno de Andrade do Centro de Inteligência e Análise Telemática, enquanto José Lopes Pereira também deixou sua coordenação. Ricardo de Almeida Soares foi transferido para o Departamento de Narcóticos.

Em outubro de 2025, Casagrande exonerou Romualdo Gianordoli Neto, que ocupava o cargo de subsecretário de Inteligência, alegando desgaste e conflitos internos. Romualdo afirmou que sua saída estava relacionada ao avanço das investigações sobre Ferreira, destacando que ele tinha conexões com figuras influentes.

Damasceno reiterou que as exonerações não estavam ligadas às suspeitas envolvendo Júdice e Ferreira, e negou ter conhecimento das evidências. Ele também mencionou que Romualdo estava sendo investigado por suposta apropriação de dados da Polícia Civil.

O advogado de Ferreira, Douglas Luz, defendeu que as acusações contra seu cliente eram infundadas e motivadas por interesses políticos. Ele alegou que as conversas entre Ferreira e o juiz não indicavam qualquer atividade ilícita.

A situação continua a ser monitorada, enquanto as investigações sobre as ligações entre os envolvidos se aprofundam.


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