Governador de Rondônia desiste de concorrer ao Senado para impedir que vice assuma
BRASÍLIA (DF) – O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União), decidiu não disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano, o que intensifica a competição tanto pelas duas cadeiras senatórias quanto pelo governo do estado. A declaração foi feita no dia 12, durante uma entrevista ao programa Sic News, o principal telejornal da SIC TV, afiliada da Rede Record no estado.
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Rocha justificou sua decisão com a preocupação de que o vice-governador, Sérgio Gonçalves (UB), assuma o Palácio Rio Madeira, sede do governo, por uma quebra de confiança.
“A vida tem dessas coisas, a gente tem que tomar decisões, às vezes, decisões que são difíceis. É claro, pode ser que volte atrás? Se for da vontade de Deus, sim, mas é aquilo que eu falei, é muito difícil eu querer entregar o governo do Estado de Rondônia nas mãos de alguém que me traiu. Nas mãos de alguém que, se traiu a mim, que estendi a mão, vai trair a população também. Eu acho que, quando eu tomo uma decisão, é muito difícil voltar atrás”, afirmou Rocha. O governador tem até o início de abril para confirmar sua decisão e se desincompatibilizar do cargo.
A tensão entre Rocha e Gonçalves teve origem em junho do ano passado, quando o governador ficou retido em Israel devido a um conflito no país. Durante sua ausência, o vice entrou na Justiça para suspender uma emenda à Constituição do Estado que permitia ao governador continuar no cargo mesmo fora do estado. O pedido foi negado pela Justiça, que alegou que a ação não era adequada.
Pesquisas recentes indicam que Rocha lidera as intenções de voto. No levantamento do Real Big Data, realizado em 12 de dezembro de 2025, o governador aparecia em primeiro ou segundo lugar na disputa ao Senado, com índices entre 20% e 24%, dependendo do cenário.
Na entrevista ao Sic News, Rocha reconheceu que sua desistência afetará os planos de sua esposa, Luana Rocha, que era cotada para uma candidatura a deputada federal, e de seu irmão, Sandro Rocha, que pretende concorrer a uma das 24 vagas de deputado estadual. A legislação eleitoral impede que eles se candidatem devido ao parentesco com o mandatário em exercício.
Caso confirme sua decisão de permanecer no cargo, especula-se que seu apoio poderá ser direcionado ao prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD), já confirmado como pré-candidato pelo partido. Outros possíveis concorrentes ao governo incluem o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), e o ex-governador Ivo Cassol. O senador Marcos Rogério (PL), que foi derrotado por Rocha em 2022, enfrenta um dilema entre buscar a reeleição, que parece garantida, ou tentar uma vaga no Palácio do Madeira. A coluna entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Estado de Rondônia (Secom), mas não obteve resposta até a publicação deste conteúdo.
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