Governador capixaba admite conversas no ‘zap’ com desembargador que vazou operação contra o CV
Governador do Espírito Santo confirma diálogos com desembargador investigado
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), reconheceu que teve conversas com o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Macário Ramos Judice Neto, acusado de vazar informações sigilosas da Operação Unha e Carne. Esta investigação se concentra nas conexões entre agentes públicos e a facção Comando Vermelho. Casagrande enfatizou que o diálogo foi "institucional e republicano", com o objetivo de acelerar a tramitação de um processo que gerava incertezas jurídicas e políticas no município durante o período pré-eleitoral.
Com base em conversas interceptadas pela Polícia Federal nos dispositivos de Macário, que está preso desde dezembro na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói, a PF lançou um pedido de investigação sobre possíveis crimes de corrupção e advocacia administrativa relacionados ao desembargador, mencionando Casagrande nas apurações.
Outro inquérito foi solicitado pela PF para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-presidente da Assembleia do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União). Os investigadores alegam que Bacellar, afastado do cargo, mantém relações de amizade e intercâmbio de favores ilícitos com Macário.
A assessoria do governador declarou ao Estadão que a conversa entre ele e Macário se referia a uma demanda de um município capixaba, já que o TRF-2, onde Macário atuava até a prisão, tem jurisdição sobre os estados do Rio e Espírito Santo.
Casagrande reiterou que "toda conversa foi realizada através de aplicativo de mensagens, pois não há nada sigiloso ou ilícito".
A situação do desembargador, que ficou quase 18 anos afastado da magistratura devido a suspeitas de envolvimento em um esquema de venda de sentenças no Espírito Santo, é complexa. Em 2005, ele foi afastado após denúncias de formação de quadrilha, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e ameaça. Embora tenha sido absolvido em 2015, a sua aposentadoria compulsória foi decretada pelo TRF-2.
O caso acabou sendo discutido no Supremo Tribunal Federal, onde Macário recorreu contra a decisão do CNJ, que havia determinado a reabertura do processo administrativo disciplinar. Em 2018, o STF decidiu manter a aposentadoria compulsória, afirmando que não havia ilegalidade nas ações do CNJ.
As investigações revelaram que Macário teria compartilhado dados sensíveis com membros da organização criminosa, comprometendo o avanço das apurações. O inquérito indica um esquema de corrupção que liga lideranças do Comando Vermelho a agentes públicos, incluindo um delegado da PF e policiais militares.
A Operação Unha e Carne investiga o vazamento de informações protegidas por sigilo judicial relacionadas à Operação Zargun, que visa desmantelar uma rede de tráfico internacional de drogas e armas vinculada ao Comando Vermelho. A ofensiva resultou na prisão de TH Joias, identificado como elo político da facção.
As investigações também destacam a proximidade entre Macário e Rodrigo Bacellar. A PF já indiciou Bacellar e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, por seus laços com a organização criminosa. A defesa de Bacellar, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, refuta as acusações, considerando o indiciamento "arbitrário e abusivo".
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