Goldman vê alavanca de US$ 80 bi para crescimento das mineradoras e destaca Vale
Goldman Sachs identifica potencial de US$ 80 bilhões para crescimento nas mineradoras, destacando a Vale
Lara Rizério
Agências de notícias
26/02/2026 10h49
Atualizado 4 minutos atrás
Um novo relatório do Goldman Sachs revela que as mineradoras globais estão sentadas sobre um “tesouro escondido”, capaz de transformar o próximo ciclo do setor. Segundo a análise, os ativos de infraestrutura, como ferrovias, portos, usinas de energia e sistemas de água, têm o potencial de liberar até US$ 80 bilhões para financiar crescimento, fusões e aquisições, além de aumentar os retornos aos acionistas.
O estudo ressalta que o setor está entrando em uma fase onde a disciplina de capital será crucial para a geração de valor. Com o aumento dos custos para garantir acesso a commodities, especialmente o cobre, a capacidade de financiar expansão sem comprometer os balanços se torna um diferencial competitivo.
A infraestrutura negligenciada pode se tornar uma importante fonte de capital
As mineradoras, ao longo de décadas, investiram bilhões em infraestrutura, principalmente em áreas remotas. Esses ativos, fundamentais para o transporte de minério, geração de energia e abastecimento de água, geralmente apresentam retornos mais baixos e são avaliados a múltiplos inferiores aos das empresas de infraestrutura listadas.
O Goldman Sachs estima que seis grandes mineradoras possuem cerca de US$ 95 bilhões em infraestrutura, dos quais até US$ 38 bilhões poderiam ser monetizados por meio de estruturas sintéticas que permitem levantar capital sem a necessidade de vender ativos ou perder controle operacional.
Entre as mineradoras com maior potencial estão Rio Tinto e Vale (VALE3), cujas redes de portos, ferrovias e sistemas de energia podem representar até 20% do valor de mercado. O banco tem uma recomendação neutra para Rio Tinto e de compra para as ações da Vale.
Modelo da BHP e GIP como referência
A análise destaca o acordo firmado no final de 2025 entre a BHP e o fundo Global Infrastructure Partners, onde a mineradora receberá US$ 2 bilhões ao ceder 49% de sua participação econômica na rede de energia do Pilbara. Com essa estrutura, a BHP mantém controle total dos ativos enquanto estabelece um fluxo de pagamentos fixos e indexados à inflação para o investidor, criando um “PPA sintético”.
Esse modelo pode ser replicado em portos e ferrovias, oferecendo uma nova forma de financiamento de longo prazo, com custos inferiores ao WACC típico das mineradoras.
Minério de ferro: até US$ 25 bilhões podem ser desbloqueados
Uma oportunidade significativa reside no minério de ferro, onde as redes de portos e ferrovias da BHP, Rio Tinto, Fortescue, Vale (VALE3) e Anglo American poderiam liberar US$ 25 bilhões. Com uma demanda estável e volumes previsíveis, esses ativos atraem fundos de infraestrutura, oferecendo uma relação risco-retorno vantajosa.
O Goldman prevê que transações avaliadas entre 14x e 16x EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) gerariam valor positivo tanto para investidores quanto para as mineradoras.
Para o Goldman Sachs, essa movimentação não deve ser interpretada como uma necessidade de caixa, pois o setor apresenta balanços robustos. A questão central é estratégica: transformar infraestrutura subavaliada em capital de baixo custo, visando acelerar novos projetos, participar de consolidações e aumentar a remuneração ao acionista, sem comprometer controle ou flexibilidade operacional.
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