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Globo encontra Bottura na Itália e revela mentiras em processo de extradição

Localização de Bottura na Itália e Revelações Sobre Extradição

Desde o ano passado, Luiz Eduardo Bottura, um conhecido litigante profissional, estava foragido na Itália. A TV Globo o encontrou vivendo em um estilo de vida luxuoso, conforme reportagem exibida no programa Fantástico no último domingo (1/3). Durante a entrevista, Bottura foi questionado sobre suas pendências legais, e a emissora afirmou que sua defesa apresentou informações falsas no processo de extradição para evitar seu retorno ao Brasil.

Bottura foi encontrado em um condomínio em Pádua, no nordeste da Itália.

A equipe de reportagem o flagrou dirigindo um carro de alto padrão em Selvazzano Dentro, uma pequena comuna na região do Vêneto. Ao ser abordado, Bottura negou as acusações, alegando que as denúncias são baseadas em depoimentos falsos e que seu patrimônio é legítimo. Ele também afirmou que não moveu milhares de ações para fins pessoais, apesar de já ter sido condenado inúmeras vezes por litigância de má-fé.

“Eu não tive mais de 200 processos na justiça e ganhei praticamente todos. É uma mentira que eles falam”, declarou ao Fantástico.

Reconhecido como o maior litigante individual do Brasil, Bottura possui um extenso histórico de acusações de fraude ao sistema judiciário. Desde 2010, a revista Consultor Jurídico tem noticiado que ele criou uma rede de processos para atacar adversários, utilizando táticas de intimidação contra juízes, promotores e testemunhas.

Com aproximadamente 300 condenações por litigância de má-fé, Bottura teve sua prisão preventiva decretada no final de 2024, sob acusações de associação criminosa e falsificação de documentos.

Na Europa desde janeiro do ano passado, ele foi detido em abril de 2025 devido a um alerta vermelho da Interpol. Atualmente, aguarda em liberdade o julgamento de seu pedido de extradição.

Durante a reportagem, o Fantástico expôs uma farsa perpetrada pelos advogados de Bottura no processo de extradição. Para convencer as autoridades europeias de que o sistema penitenciário no Brasil é inseguro, a defesa alegou que o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, teria morrido na prisão. Essa afirmação é falsa, pois Pizzolato está vivo e teve sua pena extinta pelo Supremo Tribunal Federal em 2017. Ao ser confrontado com essa mentira, Bottura ficou irritado e ameaçou acionar a Carabinieri contra os jornalistas.

O programa também abordou o caso de Maria Matuzenetz, viúva que sofreu um prejuízo de cerca de R$ 7 milhões. Após o falecimento do marido, Maria foi orientada por sua psicóloga — que é mãe de Bottura — a contratar os serviços dele para lidar com o inventário. Seguindo suas instruções, ela abriu uma empresa no Uruguai e teve seus valores de previdência privada transferidos para uma conta estrangeira controlada pela esposa do litigante. Atualmente, a viúva sobrevive vendendo mel em feiras populares.

Bottura negou qualquer crime, alegando que Maria realizou as operações financeiras por iniciativa própria. Ele disse ter contratado peritos para validar as assinaturas nos documentos em que Maria supostamente renunciava à herança. No entanto, esses documentos estão sendo investigados, pois as assinaturas não foram coletadas presencialmente pelos peritos.

Em 2009, a ConJur já havia reportado que Bottura operava uma indústria de processos em Anaurilândia, cidade no interior de Mato Grosso do Sul. Naquele período, ele foi preso por suspeita de falsificação de documentos, uma acusação recorrente em seu histórico criminal.

Em 2010, uma nova reportagem da ConJur revelou que Bottura e suas empresas enfrentavam mais de 700 processos em todo o Brasil e uma série de inquéritos por crimes contra o consumidor.

Em 2013, Bottura tentou retirar do ar reportagens que expunham suas práticas, movendo ações judiciais contra diversos veículos de comunicação. No ano seguinte, foi pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PTB, em um vídeo institucional clamando pela retirada de "ratos do poder".

Em 2021, Bottura conseguiu uma "doação" de R$ 7 milhões de uma vítima, em colaboração com sua mãe, levando a transferências de valores da herança da mulher para contas de empresas ligadas a eles.

Em 2022, Bottura foi alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo, com apreensões de veículos e documentos. Um mandado de prisão foi expedido, mas ele não foi localizado.

A investigação indicou que Bottura causou cerca de três mil ações infundadas, utilizando documentos falsos e manipulando agentes públicos.

Em 2023, Bottura foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão pela 16ª Câmara Criminal do TJ-SP por lesão corporal grave, com causa de aumento por violência doméstica, conforme a Lei Maria da Penha.

Em outubro de 2024, a ConJur noticiou que ele tentava atrasar o cumprimento de sua pena por meio de embargos de declaração intempestivos. A equipe do escritório Fidalgo Advogados, sob a liderança do advogado Alexandre Fidalgo, atuou como assistente de acusação no caso.


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