Sergio Moro

Gilmar Mendes diz que Sérgio Moro não sabia se ‘tigela’ se escrevia com G ou com J; veja

Gilmar Mendes critica Sérgio Moro e levanta questões sobre sua escrita

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez uma crítica ao senador Sérgio Moro (União-PR), ex-juiz conhecido por sua atuação na Operação Lava Jato. Durante uma cerimônia em homenagem aos 135 anos do STF, realizada na quinta-feira, 26, Gilmar insinuou que Moro não teria certeza sobre a grafia da palavra “tigela”.

“Muitos jornalistas importantes atuavam como ghostwriters de (Sérgio) Moro e companhia. E veja: Moro precisava de ghostwriters porque, talvez, não soubesse escrever com G ou com J a palavra ‘tigela’”, afirmou, referindo-se a profissionais que redigem textos sem receber crédito.

Em resposta, Moro comentou que Gilmar está tentando desviar a atenção da opinião pública de uma reportagem da revista The Economist, que o retratou negativamente. “Devia falar sobre ela e não sobre bobagens”, declarou ao Estadão.

A crítica de Gilmar se deu no contexto de sua defesa da atuação do STF durante a Lava Jato. Ele expressou sua perplexidade pelo fato de alguns veículos de comunicação não terem feito um "mea-culpa" em relação aos escândalos de corrupção revelados nas investigações.

Gilmar citou a Operação Spoofing, que investigou a invasão de celulares de autoridades e resultou na divulgação das mensagens da “Vaza Jato”, publicadas pelo The Intercept Brasil. Essas mensagens mostraram diálogos entre Sérgio Moro e o então procurador Deltan Dallagnol, que fundamentaram decisões que levaram à declaração de suspeição de Moro.

“A propósito dessas idiossincrasias, também causa perplexidade que os mesmos veículos que exaltaram a Lava Jato não tenham feito, até hoje, um mea-culpa ante os abusos comprovados pelos documentos da Operação Spoofing”, enfatizou Gilmar.

Crítico da condução da Lava Jato na primeira instância, Gilmar teve um papel decisivo ao declarar Moro suspeito em processos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que abriu caminho para a anulação de condenações.

Defesa do inquérito das fake news

Gilmar também se pronunciou a favor do inquérito das fake news, instaurado em março de 2019, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

“Nós vivemos esse momento dramático. Convivemos com isso no início do governo Bolsonaro. Foi uma opção difícil. Eu não quero especular sobre o que seria do Brasil sem a instauração do inquérito das fake news”, disse.

O inquérito tem sido alvo de críticas quanto à sua duração, concentração das investigações e falta de transparência. O Conselho Federal da OAB enviou um ofício ao STF, pedindo o fim do inquérito e solicitando que sejam tomadas providências para encerrar procedimentos que, “por sucessivos alargamentos de escopo e prolongamento temporal, deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”.


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