'Geraes', álbum lançado há 50 anos por Milton Nascimento, se alinha com o aguçado orgulho latino do Brasil em 2026
O Legado de "Geraes" e o Orgulho Latino em 2026
Milton Nascimento, ícone da música brasileira, lançou o álbum "Geraes" há 50 anos, em um momento que agora ressoa com o crescente orgulho latino no Brasil em 2026. A obra de Nascimento, que buscou conectar o Brasil com os países latinos, encontra eco na atualidade, marcada pelo impacto do astro porto-riquenho Bad Bunny, que desafia figuras como Donald Trump através de sua música.
No memorável "Clube da Esquina" (1972), Milton já flertava com a cultura hispânica na faixa “San Vicente”, evidenciando sua influência na construção de uma identidade latino-americana.
Como sucessor do álbum "Minas" (1975), "Geraes" ampliou a conexão do Brasil com a América do Sul. Agora, após cinco décadas, o disco ressoa com o orgulho latino revitalizado pelo sucesso global de Bad Bunny, especialmente após sua passagem por São Paulo.
Uma das vozes mais marcantes da América Latina, a cantora argentina Mercedes Sosa, contribuiu para "Geraes" com a reinterpretação de “Volver a los 17”, uma canção de Violeta Parra, uma figura essencial na resistência cultural da região durante os anos 70.
Milton também trouxe a sonoridade chilena ao álbum, ao incluir o grupo Água, que enriqueceu faixas como “Caldera” e “Minas Geraes”.
Gravado no Rio de Janeiro sob a direção artística de Milton Miranda, "Geraes" teve produção de Mariozinho Rocha e destaca-se pela presença de Milton como intérprete de um repertório essencialmente novo, embora ele tenha assinado apenas quatro das doze faixas.
Entre os temas, destaca-se “Cálix Bento”, uma adaptação de uma canção tradicional do norte de Minas Gerais, que revela a influência da música sacra no trabalho de Nascimento. O álbum também apresenta “Fazenda”, uma composição de Nelson Angelo, que capta a essência da paisagem rural brasileira.
A voz de Milton brilha em “O que será (À flor da pele)”, uma das versões da famosa canção, onde ele é acompanhado por Chico Buarque, criando um dos pontos altos do disco.
A participação de Clementina de Jesus em “Circo marimbondo” reforça o elo entre Brasil e África, evidenciando as influências que moldaram a identidade musical latino-americana presente em "Geraes".
Assim, ao lançar "Geraes" em 1976, Milton Nascimento já vislumbrava a integração latino-americana que se tornou uma realidade 50 anos depois, com a ousadia de artistas contemporâneos. O álbum permanece como um marco da música e da cultura latino-americana, refletindo os sentimentos coletivos que unem a região.
Inscreva-se para mais notícias
Receba as principais notícias diretamente em seu e-mail. Crie uma conta gratuita para não perder nada.
← Voltar para as notícias