Geração Z lidera temor sobre IA no trabalho, diz pesquisa
A inteligência artificial (IA) deve influenciar as atividades diárias de 80% dos trabalhadores, de acordo com um estudo da empresa de recursos humanos Randstad, na Holanda. A pesquisa aponta que a Geração Z é a que mais se preocupa com as transformações trazidas por essa tecnologia, em um cenário onde as empresas estão ampliando o uso de automação e chatbots.
O relatório anual “Workmonitor”, divulgado pela Reuters, revelou um aumento de 1.587% nas vagas que exigem habilidades relacionadas a “agente IA”. A análise sugere que funções transacionais de baixa complexidade estão sendo gradativamente substituídas por soluções automatizadas.
A transformação digital ocorre em um contexto de pressão nos mercados globais, com muitas empresas implementando cortes de empregos e sentindo um enfraquecimento no sentimento do consumidor. A situação é ainda mais complicada pela guerra comercial iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por mudanças na política externa que impactam a ordem mundial.
Empresas de tecnologia focadas em IA já estão substituindo postos de trabalho por sistemas automatizados, mesmo quando a maioria ainda aguarda resultados concretos dos investimentos em inteligência artificial, que promete remodelar o ambiente de negócios nos próximos anos.
Diferenças geracionais na percepção da IA
O estudo da Randstad, uma das maiores agências de recrutamento do mundo, entrevistou 27 mil trabalhadores e 1.225 empregadores em 35 mercados globais, além de analisar mais de 3 milhões de anúncios de emprego.
De acordo com o relatório, “a Geração Z é a mais preocupada. Já os Baby Boomers demonstram maior autoconfiança e são os menos preocupados com o impacto da IA e sua capacidade de adaptação”.
Divergência entre empregadores e funcionários
A pesquisa revelou que quase metade dos trabalhadores teme que as novas tecnologias beneficiem mais as empresas do que os próprios empregados. Existe também uma discrepância significativa nas expectativas sobre o desempenho das empresas: aproximadamente 95% dos empregadores acreditam em crescimento até 2026, enquanto apenas 51% dos funcionários compartilham essa visão otimista.
O CEO da Randstad, Sander van ‘t Noordende, comentou sobre a percepção dos funcionários em entrevista à Reuters: “O que geralmente vemos é que os trabalhadores estão entusiasmados com a IA… mas também podem ser céticos, acreditando que as empresas buscam apenas economizar custos e aumentar a eficiência”.
O estudo não prevê como a transformação tecnológica afetará o mercado de trabalho a longo prazo, nem quais novas funções poderão surgir para substituir os empregos eliminados pela automação.
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