gabinete do ódio Gabinete do ódio – Wikipédia, a enciclopédia livre

Gabinete do ódio – Wikipédia, a enciclopédia livre

Gabinete do Ódio

O termo designa um grupo de assessores que atuavam no Palácio do Planalto durante a presidência de Jair Bolsonaro, coordenados por ele e por Carlos Bolsonaro. Formado durante a campanha eleitoral de 2018, o grupo permaneceu ativo até o final do mandato do ex-presidente.

A existência de uma "milícia virtual", com controle de perfis falsos e disseminação de fake news para atacar adversários, foi revelada em meados de 2019 pela deputada Joice Hasselmann, antiga aliada de Bolsonaro. Ela denunciou que o grupo teria difundido mentiras sobre temas como o suposto "kit gay" e a "mamadeira de piroca", associando-os ao candidato Fernando Haddad no pleito de 2018. Além disso, o mesmo grupo era acusado de espalhar informações falsas que difamavam a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, alegando falsamente que ela estava casada com um traficante.

A atividade do chamado "gabinete do ódio" foi inicialmente reportada pelo jornal O Estado de S. Paulo em setembro de 2019, e ganhou notoriedade com a CPMI das Fake News. Vários ex-aliados do governo, como Alexandre Frota e Heitor Freire, relataram a existência do grupo, que se autodenomina "Gabinete do Ódio", descrevendo suas ações e métodos. As principais alegações indicam que o grupo utiliza redes sociais e ferramentas de disparos em massa, especialmente pelo WhatsApp, para atacar alvos previamente escolhidos.

O conteúdo produzido pelo grupo inclui notícias falsas, uso de robôs e investimentos maciços em promoção de conteúdos. A suspeita é de que parte do financiamento para essas ações seja de origem pública.

Além da denúncia por ex-aliados, a Polícia Federal e ministros do Supremo Tribunal Federal também apontam a existência do gabinete, que é negada pelo presidente.

Em 11 de julho de 2024, a Polícia Federal, durante a Operação Última Milha, encontrou indícios de ligação entre dirigentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o gabinete do ódio, que operava no Palácio do Planalto para disseminar notícias falsas contra adversários de Bolsonaro.

O nome adotado pelo grupo reflete sua principal estratégia: a produção e divulgação de conteúdos que atacam pessoas e instituições críticas ao governo.

De acordo com um relatório da Polícia Federal, o grupo segue um processo estruturado em quatro etapas:

Eleição: seleção do alvo dos ataques.

Preparação: produção do conteúdo ofensivo e divisão das tarefas.

Ataque: publicação nas redes sociais e disparos em massa.

Reverberação: retransmissão e impulsionamento do conteúdo, inclusive por autoridades e meios de comunicação tradicionais.

A reverberação é, segundo depoimentos na CPMI, intensificada por robôs. Além dos assessores diretos, Alexandre Frota alegou que o site Terça Livre, liderado por Allan dos Santos, também contribuía para a disseminação de notícias falsas, com apoio financeiro do empresário Luciano Hang, após intermediação do senador Flávio Bolsonaro. Allan foi condenado pelo STF por disseminação de conteúdos caluniosos e atualmente se encontra foragido nos Estados Unidos.

Em novembro de 2021, membros do gabinete que participaram da comitiva presidencial em Dubai se reuniram com representantes da DarkMatter, ferramenta espiã destinada a invadir dispositivos eletrônicos, com foco na eleição de 2022.

Atuação durante a Pandemia de COVID-19

A CPI da COVID-19, realizada pelo Senado durante a pandemia, identificou 15 pessoas, incluindo o próprio presidente, como ligadas ao Gabinete do Ódio. A CPI concluiu que o gabinete foi utilizado para minimizar os riscos da emergência sanitária, contestar orientações da Organização Mundial da Saúde e promover tratamentos sem comprovação científica, como a hidroxicloroquina. A disseminação de informações falsas durante a pandemia é considerada um dos fatores que contribuíram para o elevado número de mortes no Brasil.

Durante seu depoimento na CPMI, Luciano Hang negou envolvimento direto com o gabinete paralelo, mas admitiu promover a cloroquina como tratamento para COVID-19, uma das principais pautas do gabinete durante essa fase.


← Voltar para as notícias