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Gabinete do Ódio: Bolsonaro, Carlos e Ramagem são indiciados pela PF

Indiciados pela PF: Jair Bolsonaro, Carlos e Ramagem

O Gabinete do Ódio, liderado por Carlos Bolsonaro, foi empregado para denegrir a imagem de opositores políticos, conforme aponta a conclusão da Polícia Federal após dois anos de investigação.

A PF identificou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, cometeram crimes ao utilizar a estrutura da Abin para espionar adversários políticos, jornalistas e advogados. O relatório final revela que ferramentas tecnológicas, como o software "First Mile", foram utilizadas para realizar esse monitoramento ilegal.

Os alvos, descritos como parte da chamada Abin Paralela, incluíam não apenas opositores de Bolsonaro e de seus filhos, mas também jornalistas que publicavam reportagens críticas. A situação remete ao período da ditadura, quando a imprensa era rigorosamente vigiada, com o objetivo de silenciar vozes dissidentes. O documento com os detalhes do esquema criminoso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal.

O atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e outros também foram indiciados, uma vez que as investigações revelaram indícios de obstrução da Justiça. Desde a administração de Bolsonaro, marcada por um uso político da máquina pública, houve alertas sobre a existência do Gabinete do Ódio. As atividades dessa organização não se restringiam à espionagem, mas também visavam destruir a reputação de aqueles que incomodavam a cúpula do governo entre 2019 e 2022.

O caso está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e a Procuradoria-Geral da República decidirá se apresentará denúncia contra os acusados. Se a denúncia for aceita pelo Supremo, os indiciados se tornarão réus em um processo penal. Jair Bolsonaro já enfrenta outra acusação relacionada a uma tentativa de golpe de Estado, com audiência de instrução prevista para agosto.

O relatório, com mais de 800 páginas, contém evidências substanciais da espionagem ilegal durante o governo anterior. A PF ressalta que Bolsonaro estava ciente das atividades ilícitas e era o principal beneficiário. Ramagem é apontado como o responsável pela operação, enquanto Carlos Bolsonaro recebia e disseminava os dados obtidos, usando redes sociais para atacar aqueles que criticavam sua família.


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