Furlanetti: fechamento do Estreito de Ormuz impacta a economia brasileira
O Irã anunciou na segunda-feira (3) o fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota de petróleo do mundo, que transporta cerca de 30% da produção global. A decisão já gerou preocupações nos mercados internacionais e pode ter repercussões diretas na economia brasileira.
O apresentador da CNN, Rafael Furlanetti, destacou que o fechamento do canal, que possui apenas 30 quilômetros de largura, pode levar o preço do barril de petróleo a ultrapassar os US$ 100. Além disso, o Irã ameaçou bombardear navios que tentarem transitar pela região, intensificando a tensão geopolítica.
O FMI avalia que a guerra no Oriente Médio torna a perspectiva global mais incerta, enquanto a escalada de preços do gás já impactou o mercado, com alta de 43,5%.
Impactos na economia brasileira
Embora a Petrobras tenha declarado que não utiliza o Estreito de Ormuz em suas operações, o impacto na economia nacional será inevitável. Furlanetti alertou que, apesar de parecer distante, os efeitos estão mais próximos do que se imagina.
A alta no preço do petróleo já gerou uma defasagem de 15% a 16% nos preços da gasolina e do diesel em relação à paridade internacional, o que coloca a Petrobras em um dilema sobre repassar ou não esses aumentos aos consumidores.
Um cenário de petróleo mais caro pressiona a inflação global e pode afetar os planos de redução de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Furlanetti observou que, se a inflação aumentar, o Banco Central não irá reduzir os juros como se previa.
Com juros mais altos por um período prolongado, vários setores da economia, como a construção civil e o varejo, seriam impactados. O consumo de bens parcelados se tornaria mais oneroso, afetando diretamente o poder de compra das famílias brasileiras.
Efeito no câmbio e fluxo de investimentos
Um cenário de maior aversão ao risco global pode pressionar o câmbio, reduzindo parte do fluxo externo que tem contribuído para a valorização do real. Contudo, o Brasil possui uma vantagem em relação a outros países emergentes, por ser um exportador de petróleo.
Furlanetti estima que o Brasil pode arrecadar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões a mais com o petróleo em preços elevados. No entanto, esse benefício fiscal poderá ser contrabalançado pelos efeitos adversos na inflação e no crescimento econômico.
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