Fundos da antiga Reag Trust deixam status de 'congelados' desde liquidação extrajudicial
Fundos da antiga Reag Trust deixam status de 'congelados' após liquidação extrajudicial
Os fundos da CBSF DTVM, anteriormente conhecidos como Reag Trust, foram retirados do status “congelados” que mantinham desde a liquidação extrajudicial ordenada pelo Banco Central (BC) em 15 de janeiro. A normalização de atos, como a transferência para novos administradores, pode agora ser iniciada. Informações obtidas pelo Valor indicam que a APS, empresa do liquidante Antônio Pereira de Souza, firmou um acordo com a Planner Corretora para atualizar as carteiras e regularizar obrigações regulatórias e tributárias. Com isso, a fila começa a andar.
Excluindo os fundos que estão sob investigação da Polícia Federal, Receita Federal e do Ministério Público, como Carbono Oculto, Quasar e Tank, além dos envolvidos no caso Master, a suspensão operacional dos portfólios por mais de um mês causou prejuízos significativos aos investidores. A Planner não se manifestou sobre a situação, enquanto o liquidante afirmou que “nenhuma informação pode ser prestada”.
Sob a responsabilidade do liquidante, quase 700 fundos foram contabilizados, totalizando R$ 363,5 bilhões em dezembro de 2025. Após a operação Carbono Oculto, iniciada no final de agosto, que investiga conexões com o crime organizado, João Carlos Mansur, fundador da Reag, negociou a venda da carteira de administração fiduciária na CBSF para a B100, holding da Planner Corretora.
O acordo envolveu a S.A. listada na bolsa, não o CNPJ da DTVM liquidada pelo BC, e o acesso à base de clientes, que estava sob análise de compliance da Planner. Durante esse processo, a corretora identificou cerca de 220 fundos, com patrimônio estimado entre R$ 80 e R$ 90 bilhões. A transferência efetiva ainda depende da aprovação dos investidores em assembleia, não ocorrendo de forma automática. O pagamento a Mansur foi simbólico, com uma taxa de sucesso pendente pela conversão de clientes.
Paralelamente, a Planner, que incorporou cerca de cem funcionários da Reag e teve quase cinco meses para diligência nos fundos, firmou um contrato com a APS que não gerou ônus para o liquidante, segundo fontes familiarizadas. O compromisso é regularizar os fundos, sendo que a rotina de divulgação para os ilíquidos, como de private equity, é mais simples e ocorre mensal e trimestralmente, sem apuração diária. Nos portfólios líquidos, a falta de apuração e atualização é mais problemática.
Entre as queixas recebidas pelo Valor, destacam-se os fundos de investimentos creditórios (FIDC) de cartão de crédito consignado, que, devido à paralisação, geraram prejuízos enormes. Carteiras com certificados de recebíveis de crédito imobiliário (CRI) estão sem movimentação, conforme relatos de fontes próximas à situação.
Há também fundos imobiliários listados na B3 com cotação mais recente datada de 14 de janeiro, e veículos de investimento que necessitam de pagamentos para obras em andamento, como cimento e mão de obra. Além disso, há atrasos na entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida.
Uma fonte afirmou que um cliente não conseguiu amortizar um CRI devido à falta de recursos e corre risco de perder o imóvel por inadimplência. Outras pessoas relataram que as atas para transferir os fundos foram assinadas, mas o liquidante não avançou com o processo. A Reag foi desligada do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e todas as contas foram encerradas, interrompendo também as liquidações via Cetip, câmara da B3 responsável por títulos privados. Há informações de clientes que perderam prazos de parcelamento tributário.
O Banco Central não comentou as questões levantadas, e o liquidante também não se pronunciou.
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