Fraude no INSS: esquema de desvios da Conafer tinha núcleos político, de comando e financeiro, segundo PF
Fraude no INSS: Conafer tinha núcleos político, de comando e financeiro, aponta PF
A quarta fase da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal na última quinta-feira, mirou um suposto esquema de fraudes envolvendo a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A operação resultou na prisão do ex-presidente do INSS e levantou indícios de participação de um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.
A PF identificou três núcleos com funções distintas dentro da organização criminosa que teria desviado R$ 640 milhões de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024. O total de fraudes, considerando outros sindicatos e associações, pode chegar a R$ 6,3 bilhões, impactando milhares de beneficiários.
O esquema foi alvo da operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. As investigações revelaram que o presidente da Conafer, Carlos Lopes, era o "líder e mentor intelectual" do esquema, responsável por obter assinaturas de idosos para fichas fraudulentas, justificando descontos indevidos nas folhas de pagamento do INSS.
A PF não conseguiu localizar Lopes para cumprir a ordem de prisão, enquanto seu irmão, Tiago Abraão Ferreira Lopes, foi detido. Tiago, vice-presidente da Conafer, tinha acesso ao sistema da Dataprev e enviava listas fraudulentas de beneficiários.
Entre os presos estava o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que supostamente recebia R$ 250 mil mensais para facilitar a continuidade de convênios irregulares entre o INSS e a Conafer.
O esquema também envolvia Cícero Marcelino de Souza Santos, responsável por operar os pagamentos ilícitos, e Virgílio Antônio de Oliveira Filho, ex-procurador-chefe do INSS, que teria recebido R$ 6,57 milhões em propinas.
A investigação destaca ainda o deputado Euclydes Petersen (Republicanos-MG), que teria recebido R$ 14,7 milhões para garantir proteção política à Conafer, evitando fiscalizações.
Os indícios apontam que a fraude estava em pleno funcionamento durante o governo anterior, com o ex-ministro José Carlos Oliveira, que também teria recebido propinas. O STF determinou monitoramento eletrônico para vários envolvidos, incluindo Oliveira.
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