Foragido, líder do CV fingia ser cristão e escondia drogas em igreja
Foragido se disfarçava de cristão e escondia drogas em igreja
Uma operação da Polícia Civil do Amazonas revelou que um esquema criminoso pode ter movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018.
Allan Kleber Bezerra, identificado como líder do núcleo político que apoia o Comando Vermelho (CV) no Amazonas, é acusado de se passar por evangélico para despistar as autoridades e ocultar drogas em uma igreja em Manaus.
As informações foram divulgadas pela PC-AM após a operação “Erga Omnes”, realizada na última sexta-feira, 20 de fevereiro. Segundo as investigações, Allan usava roupas associadas ao meio religioso e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste da capital, como parte de sua estratégia para encobrir atividades ilícitas.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, que lidera a operação, em uma situação anterior, o investigado chegou a esconder drogas dentro do templo religioso. Outro alvo da investigação também residia em uma igreja evangélica. Allan, no entanto, não foi encontrado durante o cumprimento dos mandados e é considerado foragido.
As apurações indicam que o núcleo político da facção contava com a ajuda de servidores públicos de várias esferas, incluindo o Tribunal de Justiça do Amazonas, a Assembleia Legislativa do Amazonas e a Polícia Militar do Amazonas.
Estima-se que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018. Na operação de sexta-feira, foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas.
Entre os investigados estão:
- Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas
- Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior
- Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
- Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar
- Osimar Vieira Nascimento, policial militar
A Polícia Civil afirma que os investigados facilitavam acessos, intermediavam interesses e protegiam membros da facção, além de tentarem obter informações sobre investigações em andamento.
As investigações tiveram início após a apreensão de cerca de 500 tabletes de skunk, sete fuzis, embarcações e veículos utilizados para o transporte de drogas. A partir dessas evidências, os investigadores conseguiram reconstruir a estrutura de comando da organização criminosa.
O esquema operava com uma divisão de tarefas entre operadores logísticos, financiadores e colaboradores infiltrados no poder público. Empresas de fachada, principalmente nos setores de transporte, locação e logística, eram utilizadas para dar uma aparência legal às operações. A polícia constatou que os dados financeiros dessas empresas não correspondem à capacidade econômica declarada.
As drogas eram adquiridas na fronteira com a Colômbia, transportadas para o Amazonas e redistribuídas a outros estados. Veículos alugados em nome de terceiros e embarcações sem vínculo direto com os líderes eram utilizados para dificultar o rastreamento.
Além do tráfico de drogas, a investigação encontrou indícios de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Os detidos devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção e ocultação de patrimônio.
Com informações do Metrópoles.
← Voltar para as notícias