Deltan Dallagnol

Flávio sustenta que TSE garante Dallagnol, mas inelegibilidade trava PL

Flávio assume controle no PL após revelação de documento interno

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou sua atuação no PL após a divulgação de um documento interno que lista riscos e oportunidades nos estados, incluindo a sugestão de troca de vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

As anotações, discutidas em reunião da cúpula do PL, revelam dinâmicas políticas raramente expostas publicamente, como quem está “puxando para baixo” ou “puxando para cima”, além de identificar figuras indispensáveis e aquelas que se tornaram problemáticas antes mesmo das eleições de agosto.

No topo do rascunho, há uma instrução clara: “ligar Tarcísio”. A interpretação em Brasília é que, apesar de São Paulo ser uma vitrine, também representa riscos, especialmente após o vice Felício Ramuth (PSD) ser investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em Andorra, o que ele nega.

A disputa pela vice-presidência ganha forma com o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), mencionado como opção. Essa movimentação coincide com uma homenagem a Valdemar Costa Neto, marcada para sexta-feira (27), o que indica quem está moldando a chapa paulista.

Flávio também convocou um encontro com as bancadas do partido para esta quarta-feira (25), buscando conter conflitos internos e estabelecer hierarquia em um momento de tensões entre a família Bolsonaro e dirigentes do PL.

Esse cenário explica por que uma simples reunião se torna uma questão de relevância nacional. Com o controle da planilha de palanques, quem detém essa informação controla a narrativa.

O rascunho revela desconfiança em relação ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), descrito como alguém que “puxa para baixo”, e expressa preocupação com a concorrência de nomes como Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho (Republicanos).

O PL demonstra interesse em 2026, cogitando substituir o candidato “natural” por um nome mais aceito, como o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, sugerido no documento com a nota “conversar com Nikolas”.

No Paraná, o rascunho revela planos de apoiar Filipe Barros (PL) ao Senado e indica que o deputado Fernando Giacobo (PL) “não pode ser candidato (Valdemar)”, evidenciando esforços para compor alianças no estado.

Um dos pontos mais destacados sugere a inclusão de Deltan Dallagnol para uma das vagas ao Senado. Contudo, o PL enfrenta a questão crucial da inelegibilidade de Dallagnol até 2031, o que transforma essa possibilidade em mera especulação.

Esse contraste é revelador: enquanto o partido elabora cenários, a realidade jurídica pode complicar a estratégia, obrigando o bolsonarismo a reavaliar sua chapa no Paraná, onde Barros se mostra forte em pesquisas regionais.

O PL busca estruturar um projeto presidencial com Flávio, mas as anotações sobre a “situação nos estados” indicam que a campanha requer delicadas articulações e controle interno, já que cada estado possui um cacique com interesses próprios.

No cenário nacional, a cúpula do PL vê Flávio Bolsonaro como o nome do bolsonarismo para a presidência, enquanto Tarcísio de Freitas se prepara para a reeleição em São Paulo. A anotação “ligar Tarcísio” reflete a necessidade de alinhamento e controle de danos em um estado crucial para o projeto presidencial da direita.

Por fim, o PL parece querer transformar a improvisação em uma estratégia eleitoral sólida, mas as próprias anotações mostram que o partido ainda está em negociações internas. Quando a prioridade se torna “enquadrar” aliados, o risco não é apenas perder palanques, mas também a direção do projeto.


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