Flávio diz que querem separá-lo de Nikolas e Michelle e que pai preso estará em posse na Presidência
Flávio Bolsonaro critica tentativas de separação de aliados
BRASÍLIA – Em uma reunião na sede do Partido Liberal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, expressou sua insatisfação em relação a tentativas de afastá-lo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O encontro, realizado na quarta-feira, 25, teve como objetivo principal restaurar a unidade dentro do partido, de acordo com relatos de deputados. Recentemente, a família Bolsonaro e seus aliados trocaram críticas públicas sobre a suposta falta de comprometimento com a pré-candidatura de Flávio, sinalizando um novo descontentamento na direita.
Michelle não compareceu ao evento, justificando sua ausência por uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra preso na Papudinha. Nikolas ocupou um lugar de destaque ao lado de Flávio, e este agradeceu a presença do deputado mineiro, especialmente em um momento de calamidade pública em Juiz de Fora (MG), após intensas chuvas.
“Não adianta querer me separar de Nikolas, de Michelle”, afirmou Flávio durante seu discurso, voltado para uma plateia composta por deputados e senadores do partido.
Nikolas reforçou as palavras de Flávio, tentando acalmar os rumores de divisão. “Já foram dezenas de tentativas de nos afastar, afastar até mesmo eu do presidente (Bolsonaro). No meu Estado, farei campanha para o Flávio e cairei para dentro, porque Minas decide eleições”, declarou.
As especulações sobre a divisão na direita ganharam força após comentários do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que sugeriu que Michelle e Nikolas estariam com “amnésia”, dado que foram eleitos sob a influência política de Jair Bolsonaro.
Nikolas respondeu, defendendo Michelle e criticando Eduardo. “Discordo que eu ou a Michelle tenhamos amnésia. Lembro muito bem de todos os anos em que fui atacado injustamente”, disse no último sábado, 21.
Flávio, emocionado, recordou sua visita ao ex-presidente e revelou que era a primeira vez que conhecia a cela onde o pai está detido, uma área de 65 m² no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele mencionou que, se vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, pretende conceder um indulto a Bolsonaro, permitindo que o pai esteja presente em sua posse no Palácio do Planalto.
“Hoje, ao sair da Papudinha, disse: ‘pai, você vai estar na minha posse’. Vamos ganhar essa eleição, e antes de sentar naquela cadeira, resolveremos esse problema. Este Congresso já deveria ter tido a coragem de resolver isso”, afirmou, referindo-se ao projeto de anistia para presos por tentativas de golpe.
Pré-candidatura vista como um projeto divino
Flávio mencionou a desconfiança que pairava sobre sua pré-candidatura, anunciada em dezembro, especialmente com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sendo considerado por alguns como favorito. Ele afirmou que sua candidatura é obra de Deus.
“Há três meses, estávamos aqui, com muitos questionamentos sobre se a decisão estava certa ou errada. Mas sempre disse que não estou nisso por ambição pessoal. Sei que isso é projeto de Deus”, declarou.
O tom espiritual permeou seu discurso. Flávio comentou sobre um raio que atingiu apoiadores de Nikolas durante uma caminhada de Paracatu (MG) a Brasília em janeiro, interpretando como uma intervenção divina.
“O silêncio não é mais uma opção. O Brasil acordou de verdade, se sentiu encorajado com essa caminhada. O que aconteceu quando Nikolas chegou aqui é prova de que Deus está chamando cada um de nós. Não tenham dúvida disso”, disse Flávio.
Ao encerrar, o senador afirmou ter passado por uma “transformação” desde que se converteu “de verdade” em 2022 e fez um apelo aos aliados: “Quem ainda não aceitou Jesus Cristo como seu salvador, por favor, faça”.
Flávio também agradeceu aos correligionários que foram excluídos nas articulações para a formação de chapas em diferentes Estados, mencionando descontentamentos com as escolhas feitas.
Ele citou o caso do senador Carlos Portinho (PL-RJ), que foi preterido em favor de siglas aliadas no Rio de Janeiro; do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que foi afetado pela escolha de Wilder Morais (PL) ao governo estadual, e do senador Rogério Marinho (PL-RN), que desistiu de concorrer ao governo do Rio Grande do Norte para coordenar alianças eleitorais.
“Vamos para essa campanha com um cenário muito mais favorável do que em 2022. O presidente Bolsonaro optou por não participar ativamente das decisões nos Estados para evitar consequências para sua base no Congresso”, disse Flávio aos aliados.
No início de seu discurso, o senador, tentando moderar sua imagem para o eleitorado de centro, comentou sobre uma publicação que fez nas redes sociais utilizando gênero neutro, que gerou críticas.
“Boa tarde a todos. Não farei a piada que fiz no X, pois recebi algumas críticas. Algumas pessoas não entenderam quando brinquei com todos os gêneros. Não vou repetir isso aqui, senão não terminamos amanhã”, finalizou.
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