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Flávio busca contornar mal-estar com Nikolas em reunião do PL

26/02/2026 06h40
Atualizado 3 minutos atrás

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esforçou-se nesta quarta-feira para amenizar o mal-estar gerado com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante uma reunião da bancada do partido em Brasília. Durante o encontro, os dois trocaram elogios públicos e também tiveram uma conversa reservada, como um gesto de aproximação após críticas direcionadas ao deputado mineiro, incluindo comentários do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.

Relatos de participantes indicam que Flávio fez questão de ressaltar a presença de Nikolas, elogiando sua atuação política.

Flávio está coletando assinaturas para uma PEC que visa acabar com a reeleição para presidente, uma medida que também se aplicaria a quem suceder ou substituir o presidente nos seis meses que antecedem as eleições.

“Quero agradecer especialmente ao Nikolas, que está aqui do meu lado. Mesmo com as dificuldades que Juiz de Fora enfrenta, ele fez questão de estar aqui com a gente hoje”, destacou o senador.

Ao final da sua fala, Flávio fez um gesto amigável em direção ao parlamentar, o que foi interpretado como uma tentativa de demonstrar unidade após os recentes desentendimentos no partido.

Nikolas, por sua vez, afirmou a aliados que nada poderá separá-lo de Flávio. Os dois seguiram juntos para um jantar com outros parlamentares da bancada.

No último fim de semana, Eduardo Bolsonaro havia comentado que Nikolas não estava se comprometendo o suficiente com a pré-campanha presidencial.

A reunião a portas fechadas ocorreu em um momento de reorganização interna do bolsonarismo e discutiu as estratégias eleitorais do PL para 2026, especialmente em relação às disputas ao Senado, que são vistas como prioridade.

Na abertura do encontro, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, sinalizou os nomes que o PL pretende apoiar nas disputas estaduais, mencionando a deputada Carol De Toni (SC) e o vereador Carlos Bolsonaro (RJ) como candidatos ao Senado. Também foi citado o deputado Hélio Lopes (RJ), que deverá concorrer a uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava presente, uma ausência que gerou diferentes interpretações nos bastidores. Aliados afirmam que ela se dedica aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão, enquanto outros dentro do partido acreditam que ela vem sendo afastada das articulações políticas.

Flávio tentou afastar qualquer rixa com a ex-primeira-dama, mencionando-a como aliada em pelo menos duas ocasiões.

Na coletiva após ser anunciada como pré-candidata ao Senado em Santa Catarina, Carol De Toni justificou a ausência de Michelle, afirmando que ela estava visitando o ex-presidente.

Durante a reunião, Flávio reconheceu as resistências internas à sua liderança nas articulações nacionais do partido. “Há três meses estávamos aqui conversando e sei que ainda existem muitos olhares de desconfiança sobre se a decisão tomada estava certa ou errada”, afirmou.

O senador também enfatizou que sua atuação não está ligada a ambições pessoais: “Não estou nisso por ambição pessoal ou porque meu pai quis. Acredito que esse é um projeto de Deus.”

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) pediu aos parlamentares que o partido concentre esforços para conquistar a maioria das cadeiras em 2026, enfatizando a necessidade de um Senado forte para a fiscalização e restabelecimento da democracia brasileira.

Nos bastidores, parlamentares relataram que o objetivo do encontro foi reduzir ruídos internos e alinhar o discurso do partido em meio às disputas dentro do campo bolsonarista.


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