Flávio Bolsonaro representa a farsa do bolsonarismo moderado nas eleições
Representação da Farsa do Bolsonarismo Moderado nas Eleições
Com Tarcísio de Freitas fora da disputa, Flávio Bolsonaro assume o papel de herdeiro político de Jair Bolsonaro, buscando atrair o centro e o mercado.
Periodicamente, surge a narrativa do “bolsonarismo moderado”, uma construção promovida pela extrema direita e apoiada por setores do mercado financeiro e da mídia. É um contrassenso acreditar na existência de uma vertente moderada de uma ideologia essencialmente autoritária. Assim como não há um “nazismo leve”, também não pode haver uma ala moderada da Ku Klux Klan. Tarcísio, do Republicanos, era a melhor personificação dessa farsa, com forte apoio do mercado financeiro e boa aceitação entre os políticos do Centrão. Seu perfil técnico, amplamente elogiado, servia como uma camuflagem para sua verdadeira natureza: um ex-militar ligado a um grupo que tentou dar um golpe de estado no país.
Com a saída de Tarcísio, Flávio se torna o novo “bolsonarista moderado”. A decisão foi impulsionada pelo líder da gangue golpista, que, mesmo preso, enviou uma mensagem messiânica: “Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho para resgatar o Brasil”. A candidatura de Flávio reflete mais uma tentativa de sobrevivência política da família do que um projeto elaborado. A escolha não resultou de diálogos internos no PL, mas da vontade de manter a dinastia no poder. O bolsonarismo se transforma em um messianismo hereditário.
Se a eleição ocorresse hoje, Lula venceria Flávio no segundo turno. O filho de Jair sabe que precisa conquistar o eleitorado de direita que não se identifica com o bolsonarismo. Por isso, tem se apresentado como uma versão “moderada e equilibrada” de seu pai, uma espécie de “Bolsonaro de focinheira”. Para reforçar essa imagem, Flávio tem buscado influência internacional e tentado se aproximar do empresariado e do mercado financeiro que antes apoiavam Tarcísio.
Apesar de parecer menos radical que seus irmãos, Flávio não é moderado. Sua trajetória é marcada por declarações preocupantes, como a de que o próximo presidente deveria “usar a força” se o STF negasse um indulto para seu pai. Além disso, insinuou que Trump poderia usar bombas atômicas caso a anistia não fosse aprovada.
Flávio também não tem um histórico de moderação com dinheiro público, tendo se envolvido em “rachadinhas” e na distribuição de empregos para o crime organizado. Com um currículo repleto de controvérsias, Flávio é o Bolsonaro com mais esqueletos no armário. Aos 19 anos, acumulou três ocupações em cidades diferentes, o que indica seu início na vida pública através de um funcionalismo fantasma.
Como deputado estadual, começou a enriquecer com as “rachadinhas”, enquanto seu gabinete se tornava um abrigo para milicianos e seus parentes. Os ex-policiais militares Fabrício de Queiroz e Adriano da Nóbrega, amigos da família, lideraram a exploração de recursos públicos em seu gabinete.
Flávio ainda se destacou no mercado imobiliário. A mansão onde reside em Brasília foi financiada por um banco público com juros abaixo do mercado, um privilégio incomum. A compra, incompatível com sua renda, foi justificada como feita “com recursos próprios”, oriundos de vendas de imóveis e da franquia da Kopenhagen, que, segundo investigações, estava ligada a esquemas de corrupção.
Com Bolsonaro na presidência, os escândalos de Flávio foram blindados pela Abin, que monitorou auditores que investigavam suas atividades. A história política de Flávio é repleta de problemas, e apesar de seu sobrenome, manter a imagem que tentam construir para ele não será fácil. Seu passado é um teto de vidro, e as críticas são inevitáveis durante a campanha.
Embora Flávio tenha um “jeitão de Centrão”, sua essência política é extremista, autoritária e golpista. Os mercados e as elites sabem que ele não é o candidato ideal, mas é o que se tem no momento. A prioridade é impedir a continuidade do governo Lula. Portanto, não há novidades no horizonte.
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