Flávio Bolsonaro cogita outsider para eleição em MG e amplia incerteza sobre palanque
Flávio Bolsonaro considera outsider para eleição em MG, aumentando incertezas sobre palanque
01/03/2026 12h13
Atualizado 45 minutos atrás
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está explorando a possibilidade de um novo candidato ao governo de Minas Gerais, além de Mateus Simões (PSD), que representa o bolsonarismo na disputa. Neste contexto, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, emergiu como uma opção relevante. Em anotações feitas pelo presidenciável, o vice-governador, que conta com o apoio de Romeu Zema (Novo) e Nikolas Ferreira (PL-MG), é mencionado como alguém que poderia "puxar para baixo" o projeto presidencial de Flávio.
Dentro do PL, três cenários estão sendo considerados para Minas, um estado crucial na corrida nacional: apoiar a candidatura de Simões, a do senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar um terceiro nome, sendo Roscoe o mais comentado.
A situação política também é impactada por uma carta manuscrita de Bolsonaro, onde ele pede que Michelle se envolva na política apenas após março, promovendo a união dentro do partido.
Roscoe, empresário do setor têxtil e no cargo de presidente da Fiemg desde 2018, não possui experiência eleitoral, mas ganhou notoriedade como interlocutor do setor produtivo na administração de Zema, defendendo ajustes fiscais e melhorias no ambiente de negócios.
Nos bastidores do PL, o nome de Roscoe surge como uma alternativa viável, capaz de equilibrar as divergências internas, caso o partido não consiga se alinhar ao governo estadual ou à candidatura de Cleitinho.
A candidatura de Roscoe é vista como um plano alternativo, dependendo da continuidade do impasse político nas próximas semanas. Após o vazamento das anotações, Flávio afirmou que os registros não refletem suas opiniões pessoais, mas sim as percepções de lideranças locais durante discussões políticas.
Dirigentes do PL acreditam que o perfil empresarial de Roscoe poderia diminuir resistências entre diferentes correntes da direita, evitando que a sigla se submeta ao projeto presidencial de Zema ou intensifique disputas internas no bolsonarismo.
Além de sua função na Fiemg, Roscoe é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e preside o Conselho de Infraestrutura, ampliando sua atuação a nível nacional. Anteriormente, foi presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais (Sindimalhas) por 16 anos e participa de conselhos relacionados a crédito, pesquisa e formação empresarial.
Se decidir se candidatar, seus oponentes deverão explorar declarações controversas, como a feita à Folha de S. Paulo, onde afirmou que “idiota é quem trabalha com carteira assinada”, responsabilizando programas como o Bolsa Família pela alegada falta de mão de obra nas indústrias.
Sob sua liderança, a Fiemg atuou como amicus curiae em ações no Supremo Tribunal Federal (STF) que questionaram a suspensão do X no Brasil em 2024, destacando que a decisão afetava não apenas “a liberdade individual”, mas também impactava “as atividades de inúmeras empresas”.
Em um manifesto três anos antes, a federação criticou o STF e apoiou temas defendidos pelo então presidente Jair Bolsonaro, solicitando a revisão de sanções e a possibilidade de desmonetização de sites acusados no inquérito das fake news.
A divulgação das anotações de Flávio revelou uma divisão entre dirigentes e parlamentares do PL em Minas. Alguns membros da sigla concordam que Simões enfrenta desafios eleitorais e pode prejudicar o desempenho do bolsonarismo no estado, citando sua ligação com Zema como um obstáculo.
Atualmente, há uma disputa interna no partido entre alas representadas por Nikolas Ferreira, que resistiu a ser candidato, e o deputado estadual Bruno Engler, que, apesar de serem aliados históricos, possuem visões distintas sobre a sucessão estadual. Engler afirmou que qualquer candidatura ao governo apoiada pelo partido deve comprometer-se claramente com a candidatura presidencial de Flávio.
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