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Fim do software? Entenda o que é ‘SaaSpocalypse’ e como a IA muda o jogo

O impacto da IA no setor de software e a ‘SaaSpocalypse’

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que a venda de ações de empresas de software motivada pelo medo da inteligência artificial (IA) é um equívoco. Durante a apresentação de resultados na quarta-feira (25), ele esclareceu que essa onda de vendas é fruto de uma percepção errada sobre o verdadeiro impacto da tecnologia.

Categorizado como “SaaSpocalypse”, esse movimento resultou em uma queda acentuada no setor de software, com investidores receosos de que as ferramentas atuais se tornem obsoletas.

Huang argumenta que os “agentes” de IA não substituirão os programas tradicionais, mas trabalharão em prol dos usuários, aumentando a produtividade e a eficiência.

O que significa ‘SaaSpocalypse’

O termo “SaaSpocalypse” descreve a queda significativa no valor das empresas de software que operam sob o modelo de assinatura (SaaS, ou Software como Serviço). Esse receio se originou por dois fatores principais:

O avanço da IA: Muitos investidores temem que a IA possa realizar as funções desses programas de maneira mais eficiente, tornando-os desnecessários.

Cortes de gastos: Com a instabilidade econômica, muitas empresas optaram por cancelar assinaturas de softwares considerados não essenciais.

Especialistas acreditam que a IA, na realidade, aumentará o valor das empresas de software. Analistas indicam que esse setor deverá reter a maior parte do valor gerado pela IA. Gestores recomendam a aquisição de ações de empresas de infraestrutura de software, como Snowflake e Datadog, que são fundamentais para treinar novos modelos.

O HSBC aponta que o setor já vinha planejando o uso estratégico de IA "agêntica" (a que executa tarefas) há dois anos, com o objetivo de amplificar as ferramentas existentes.

A Salesforce introduziu o “Agentic Work Units” (AWU), uma métrica que avalia tarefas concluídas pela IA em vez de apenas o processamento de dados. O CEO, Marc Benioff, busca posicionar seu software de gestão como líder no mercado, tratando empresas de IA (como a OpenAI) como fornecedoras de “motores” intercambiáveis.

Huang destaca que softwares já estabelecidos continuarão a ser utilizados em fluxos de trabalho complexos. O foco da indústria shiftou para a produtividade assistida, em vez de apenas substituir programas.

Neil Shah, da Counterpoint Research, observa que as empresas de software precisam se adaptar rapidamente a modelos que proporcionem resultados práticos. Embora algumas funções mais antigas possam ser afetadas, a transição para agentes autônomos é vista como um momento decisivo.

Quem liderar essa mudança nos próximos dois anos poderá dominar o mercado global. O HSBC estima que o setor de software está absorvendo a IA de maneira bastante lucrativa. A história demonstra que empresas estabelecidas frequentemente sobrevivem a grandes transformações tecnológicas, como ocorreu com a IBM.

Atualmente, os resultados no mercado são variados: enquanto a Microsoft viu uma leve queda, as ações da SAP e da IBM tiveram alta recentemente. A própria Nvidia registrou um aumento de quase 1% após superar as expectativas de lucro em seu último relatório. Esse panorama reflete uma reavaliação profunda sobre quais empresas dominarão a nova era da IA “agêntica”.

(Essa matéria usou informações de CNBC e TechCrunch.)

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e já colaborou com diversos veículos de comunicação. No Olhar Digital, escreve sobre uma ampla gama de temas.


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