Daniella Ribeiro

Fim da relativização de estupro de crianças e demais vulneráveis vai a sanção

Projeto que reforça a proteção das vítimas de estupro segue para sanção

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Da Agência Senado | 25/02/2026, 18h10

A proposta que assegura a presunção absoluta de vulnerabilidade em casos de estupro de vulnerável foi aprovada em Plenário nesta quarta-feira (25) e está a um passo da sanção presidencial. A nova legislação classifica como vulneráveis as pessoas menores de 14 anos ou aquelas que, devido a enfermidade ou deficiência mental, não possuem discernimento suficiente para consentir, ou que, por qualquer outro motivo, não conseguem oferecer resistência.

O texto aprovado (PL 2.195/2024) modifica o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940) para estabelecer que as penas deverão ser aplicadas independentemente da experiência sexual da vítima ou de eventuais gestações resultantes do ato. Atualmente, a legislação já prevê penalidades independentemente do consentimento da vítima ou de relações sexuais anteriores ao crime.

Na justificativa, a autora do projeto, deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), cita uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que minimizou a vulnerabilidade da vítima ao absolver um homem de 20 anos que teve um relacionamento com uma menina de 12 anos, resultando em gravidez. A deputada argumenta que não se pode permitir que mais julgados desse tipo ocorram no Brasil.

O relatório da senadora Eliziane Gama foi previamente aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A relatora destacou que a presunção absoluta de vulnerabilidade reforça a intenção do legislador de evitar discussões que possam distorcer a finalidade da norma, priorizando a proteção daqueles que não podem consentir, uma situação ainda comum em alguns tribunais do país.

Eliziane apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que mostram que a maior taxa de vitimização ocorreu entre crianças de 10 a 13 anos, com 233,9 casos por 100 mil habitantes. Entre crianças de 5 a 9 anos, foram 103,3 casos, e entre bebês e crianças de até 4 anos, a taxa alcançou 68,7 por 100 mil habitantes. Para a senadora, esses números evidenciam a urgência de uma legislação clara que impeça relativizações sobre a vulnerabilidade das vítimas e promova maior eficácia no combate à violência sexual infantil.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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