Fim da escala 6 x 1: entenda o tortuoso caminho que a proposta ainda tem pela frente no Congresso
Fim da escala 6 x 1 e os desafios no Congresso
Crédito, Tomaz Silva/Agência Brasil
Autor, Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília
A proposta para acabar com a escala 6x1 — que impõe aos trabalhadores seis dias de atividade seguidos por apenas um dia de descanso — começou a tramitar na Câmara dos Deputados, gerando intensas discussões a favor e contra.
O apelo popular em torno dessa mudança tornou-se uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente meses antes da eleição de outubro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), destacou a proposta como uma das prioridades do legislativo para 2026.
Na última quinta-feira (26/2), Motta afirmou que a votação sobre o fim da escala 6x1 pode ocorrer em maio no plenário, desde que antes passe pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e por uma comissão especial que discutirá detalhes da proposta.
No entanto, a proposta enfrenta forte oposição de alguns partidos e líderes empresariais, que tentarão atrasar sua votação. Os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antonio Rueda, manifestaram a intenção de trabalhar junto a Motta para que a proposta não avance na CCJ. Valdemar reforçou: "Vamos dar a vida pra isso".
Ambos acreditam que, devido ao apelo popular da proposta, será difícil barrá-la se for apreciada antes das eleições, quando muitos deputados e senadores buscam reeleição.
Oposição e impactos da mudança
Rueda argumentou que o fim da escala 6x1 acarretará um aumento nos custos de produção. Ele destacou que, ao observar países desenvolvidos, a proposta pode ser prejudicial para a economia.
A proposta, sendo uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), deve ser aprovada em texto idêntico tanto na Câmara quanto no Senado para entrar em vigor.
O deputado Paulo Azi (União-BA) foi designado para relatar a proposta na CCJ. Com a aprovação de Motta, ele terá um prazo de 30 dias para apresentar um relatório sobre a admissibilidade da proposta.
Azi planeja realizar audiências públicas para discutir a proposta, buscando ouvir trabalhadores e representantes do setor produtivo, além dos ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da Fazenda, Fernando Haddad. Ele também defendeu a consideração de compensações para os setores mais impactados pela provável redução da carga horária.
Defensores da mudança argumentam que isso melhorará a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, oferecendo mais tempo para descanso e convívio familiar. A campanha pela mudanças começou com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado por Rick Azevedo, vereador do PSOL no Rio de Janeiro.
Em entrevista recente, Azevedo refutou as preocupações de empresários sobre a redução da carga horária, dizendo que a resistência é uma tentativa de manter os trabalhadores em jornadas extenuantes.
Apoio governamental à jornada reduzida
A proposta ganhou destaque no Congresso com uma PEC apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro de 2025, que sugere uma jornada de trabalho de quatro dias e três dias de descanso.
Se a proposta para acabar com a escala 6x1 for aprovada, é possível que o Congresso opte por uma redução menos drástica da carga horária. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem defendido uma jornada de 40 horas semanais, considerando a atual carga de trabalho "cruel".
Lula defende que a mudança ocorra sem prejuízo ao salário dos trabalhadores, ressaltando a importância do tempo livre para a saúde e bem-estar.
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