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Fim da escala 6×1 pode gerar impacto de R$ 35 milhões por mês na economia de Roraima, aponta estudo

Fim da escala 6x1 pode gerar impacto de R$ 35 milhões por mês na economia de Roraima, aponta estudo

Uma análise recente da consultoria econômica Vetra sugere que a possível redução da jornada de trabalho para 40 ou 36 horas semanais poderá ter um efeito significativo na economia de Roraima. Se a remuneração semanal se mantiver, o custo médio da hora trabalhada poderia aumentar em 7,99% para uma jornada de 40 horas e em 17,95% para 36 horas.

O estudo foi baseado em dados da PNAD Contínua do quarto trimestre de 2025 e segue metodologia similar àquela utilizada pelo Ipea em análises nacionais. A discussão sobre a redução da carga horária voltou à tona com a tramitação da PEC nº 8/2025, que propõe a limitação de 36 horas semanais, enquanto alguns parlamentares debatem a possibilidade de um limite intermediário de 40 horas.

Quem seria impactado em Roraima

No final de 2025, Roraima contava com 302.092 trabalhadores. Desses, 166.783 estavam em empregos formais e 135.309 na informalidade. Ao focar nos vínculos regidos pela CLT, cerca de 88.568 empregados, representando aproximadamente 29% do total, seriam diretamente afetados pela proposta.

Dos trabalhadores formais, 50,34% (44.586 pessoas) trabalhavam além de 40 horas semanais, e 81,86% (72.499 pessoas) excediam 36 horas. Isso indica que, na proposta mais restritiva, quase quatro em cada cinco trabalhadores formais seriam impactados.

Impacto médio no custo da hora

O estudo revela um aumento de:

+ 7,99% no custo médio da hora trabalhada com uma jornada de 40 horas

+ 17,95% com uma jornada de 36 horas

Os dados de Roraima estão próximos da média nacional, sugerindo que a estrutura das jornadas no estado não difere significativamente do padrão brasileiro.

Impacto em valores: até R$ 35 milhões

A massa salarial mensal dos contratos CLT em Roraima era de aproximadamente R$ 199,3 milhões no período analisado. Sem ajustes de produtividade, os impactos seriam:

- Aumento estimado de R$ 15,8 milhões para uma jornada de 40 horas

- Acréscimo de R$ 35,3 milhões para uma jornada de 36 horas

Para neutralizar o aumento médio de 17,95%, seria necessário um ganho de produtividade equivalente a quase 18% a mais por hora trabalhada.

Desigualdade entre setores

O estudo evidencia desigualdades significativas entre os setores. Atividades com jornadas longas enfrentariam impactos mais severos. Por exemplo:

- Supermercados e hipermercados (11.385 trabalhadores): +14,18% (40h), +25,16% (36h)

- Materiais de construção: +10,68% (40h), +22,06% (36h)

- Transporte rodoviário de carga: +34,42% (40h), +47,50% (36h)

Setores que dependem de mão de obra intensiva e operam com escalas contínuas estariam mais expostos a essas mudanças.

Considerações finais

O estudo ressalta que a análise é estática e inicial, não considerando todos os fatores que poderiam influenciar o mercado de trabalho. Portanto, o aumento no custo da hora trabalhada não necessariamente resultaria em demissões ou retração econômica. A adaptação de cada setor será crucial para determinar o impacto real.

No contexto da redução da jornada, o efeito sobre o custo da hora trabalhada supera o recente reajuste do salário mínimo, afetando não apenas os trabalhadores de menor renda, mas todos que ultrapassarem os novos limites, independentemente do nível salarial.

A eventual mudança na jornada máxima de trabalho pode resultar em um aumento significativo nos custos do trabalho formal em Roraima, especialmente no cenário de 36 horas. A análise setorial indica que alguns segmentos poderão enfrentar aumentos superiores a 30%, exigindo reestruturações operacionais.


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