Filiação de governador ao PSD aumenta pressão no União; governo vê Kassab com mais poder de barganha
BRASÍLIA – A migração de mais um governador do União Brasil para o PSD, liderado por Gilberto Kassab, intensifica a pressão sobre Antônio Rueda e aumenta a percepção entre os petistas de que Kassab busca um maior poder de barganha nas eleições deste ano. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que “é hora de ver quem é quem”.
O Estadão conversou com políticos de diversas correntes para entender as repercussões da saída dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, ambos ex-integrantes do União.
Integrantes descontentes do União, que preferiram não se identificar, consideram que a transferência dos governadores indica que Kassab “nada de braçada” em relação a Rueda. Eles acreditam que o presidente do União não possui a mesma experiência política do líder paulista.
Esse grupo critica ainda Rueda por não cumprir promessas, o que, segundo eles, facilita a atuação de Kassab ao atrair figuras importantes do partido. Em contrapartida, afirmam que o PSD é “maleável” e que seu dirigente cumpre compromissos.
As expectativas são de que mais dissidências ocorram com a abertura da janela partidária em abril.
Em meio a essa movimentação, Kassab avança sobre o bolsonarismo, somando mais um governador às suas fileiras.
As insatisfações no União se arrastam desde o ano passado e se intensificaram após a formação da federação, com impasses nos diretórios estaduais e incertezas sobre quem assumiria o controle e o tipo de apoio que o grupo daria em diferentes regiões.
Os dissidentes acreditam que a bancada atual do União, que conta com 59 deputados, poderá perder entre 10 e 15 integrantes.
No final de 2024, o Estadão destacou que o partido enfrenta divergências e é frequentemente chamado, de forma irônica, de “Desunião Brasil”.
Apesar das saídas, correligionários leais acreditam que o partido terá um desempenho satisfatório nas eleições de 2026. “O União Brasil tem uma previsão realista de aumentar sua bancada no Congresso Nacional, e isso parece ser o foco da direção nacional. Além disso, em estados como a Bahia, é esperado que governadores sejam eleitos pelo UB. O partido sairá fortalecido das eleições”, afirmou o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL).
Na Bahia, um dos principais movimentos do partido está em curso. O secretário-geral do União, ACM Neto, vai concorrer ao governo e é uma das principais apostas da legenda para este ano.
Com o racha na base do PT local, aliados de Neto tentam convencer o senador Ângelo Coronel (BA), que está de saída do PSD, a se candidatar ao Senado contra a chapa petista em outubro.
O governo reconhece que o “poder de barganha” de Kassab cresceu. Deputados da base governista comentaram que é preciso “aguardar mais desdobramentos”, mas entendem que a movimentação do líder do PSD fortalece suas possibilidades de negociar apoio a aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Caiado e Rocha, que são do campo da direita e foram aliados de Bolsonaro, agora apoiarão, pelo menos no primeiro turno, o candidato do PSD à presidência.
Kassab, ao divulgar um vídeo sobre a filiação de Rocha, enfatizou que sua chegada ao PSD amplifica a presença do partido em Rondônia e na região Norte.
Atualmente, o PSD conta com três pré-candidatos, sendo o governador do Paraná, Ratinho Júnior, o mais forte. Também estão no radar Ronaldo Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Marcos Rocha deixou claro que fará campanha pelo candidato do PSD, elogiando o partido como “sério” e comprometido com o desenvolvimento do país, destacando a presença de nomes relevantes como Caiado e Ratinho Júnior.
Entretanto, essa movimentação não foi bem recebida entre alguns bolsonaristas em Rondônia. O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) comentou: “Essa movimentação é muito normal. Chegou a hora de realmente sabermos quem é quem. Eu sou totalmente direita conservadora bolsonarista e não mudarei. Outros farão isso por sobrevivência. O povo está mais atento para identificar o verdadeiro caráter dos indivíduos políticos”.
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