Filho de Khamenei não fará mudanças estruturais no Irã, diz especialista
Filho de Khamenei não fará mudanças estruturais no Irã, diz especialista
A escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã sinaliza uma política de continuidade do regime islâmico, sem perspectivas de mudanças estruturais como almejadas pelos Estados Unidos. Este é o avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP e Relações Internacionais da FGV, em entrevista à CNN Brasil.
Segundo o especialista, a escolha do filho de Ali Khamenei representa uma clara mensagem de estabilidade para os setores mais conservadores do regime. "A sinalização, com a escolha do filho do Khamenei, é justamente de continuidade, ou seja, não aquilo que Trump pretende", afirma Vieira, referindo-se às recentes declarações do político americano sobre o Irã.
Os princípios fundamentais da política externa iraniana permanecerão inalterados, com destaque pela prioridade de manter o regime coeso em meio aos conflitos regionais. "Acho que a prioridade é manter o regime coeso e, posteriormente, sim, havendo a passagem da guerra eventualmente, encerrar esse conflito o mais rapidamente possível", analisa Vieira.
A escolha de Khamenei também destaca a fragilidade do regime iraniano e a necessidade de diversificar as fontes de resistência dentro do país. "A República Islâmica possui mecanismos de resistência, incluindo a Guarda Revolucionária e equipamentos militares como drones, que têm um custo relativamente baixo de operação", explica Vieira.
O professor também destaca a diversidade étnica do Irã e a possibilidade de grupos separatistas dentro do país. "O Irã não é único em termos étnicos. Temos, por exemplo, os curdos, que até hoje, também presentes na Turquia, no Iraque, com parte na Síria, querem formar o seu próprio Estado-nação", conclui Vieira.
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