Filha de Belchior estreia projeto em homenagem aos 80 anos do pai
Filha de Belchior lança projeto em homenagem aos 80 anos do pai
Vannick Belchior fala sobre sua missão de preservar o legado musical do pai e a busca por novos compositores
Vannick Belchior carrega consigo não apenas um sobrenome famoso, mas também a responsabilidade de manter viva a obra de um dos ícones da música brasileira. Como a única cearense entre os quatro filhos do cantor Antonio Carlos Belchior, ela iniciou sua carreira artística aos 24 anos, idade em que seu pai começou a sua jornada. Embora estivesse prestes a se formar em Direito, com o desejo de trabalhar em causas sociais, um encontro marcado por mudanças em 2020 com o músico Tarcísio Sardinha a levou a abraçar a música.
A convivência com o pai foi interrompida aos dez anos, em 2007, quando Belchior decidiu se afastar da vida pública. Vannick, hoje, entende e respeita as escolhas dele. Atualmente, ela se prepara para o projeto Meu Nome é Cem, que celebra os 80 anos do pai, ao lado de grandes parceiros, como Rick Ferreira e Sergio Zurawski. Em entrevista, ela compartilha suas memórias, o legado que deseja preservar e seus planos futuros.
Brasil de Fato – O que você pode nos contar sobre os projetos em andamento para a celebração do aniversário do seu pai?
Vannick Belchior – Estou reestruturando um projeto com banda focado no Sudeste. O nome é Meu Nome é Cem, uma música que Belchior fez em parceria com Rick Ferreira. O objetivo é reunir amigos que fizeram parte da trajetória artística dele, como Sergio Zurawski, além de outros artistas.
Realizamos um pré-lançamento no dia 31 de janeiro, no Blue Note do Rio, e a estreia oficial será em 19 de março, no Blue Note de São Paulo, com a presença de Sergio Zurawski. Temos também sete shows programados pelo Sesc em São Paulo, com o plano de estender as celebrações durante todo o ano de 2026.
Além disso, estamos comemorando os 50 anos do álbum Alucinação. Será uma homenagem especial?
Sim, o intuito é celebrar toda a trajetória do Belchior, e Alucinação não poderia ficar de fora. Vamos apresentar um repertório que inclui tanto o Lado A quanto o Lado B, com músicas que refletem nossa contemporaneidade.
Fevereiro é tempo de Carnaval e você também está envolvida em projetos que celebram a memória de Belchior nesse ritmo. Como é sua relação com o bloco Esse ano eu não morro**?
Esse movimento carnavalesco é muito forte e, este ano, completa 10 anos do bloco Volta Belchior em Belo Horizonte. Em Fortaleza, o bloco Esse ano não morro foi criado e eu estou à frente. Inicialmente, participei, mas agora lidero as apresentações, trazendo as clássicas do meu pai em ritmo de Carnaval.
Como você imagina a relação do seu pai com o Carnaval?
Eu sempre digo que ele não era muito fã de Carnaval, enquanto eu sou apaixonada. Acredito que ele ficaria feliz ao ver sua obra sendo celebrada de forma tão respeitosa, mesmo que não estivesse diretamente envolvido.
Voltando à sua trajetória, como você ingressou na música?
Em 2020, conheci Tarcísio Sardinha em uma casa de shows enquanto terminava a faculdade de Direito. Quando cantei para ele, ele comentou que sentia falta de ouvir Belchior novamente. Assim, começamos um projeto que culminou no meu primeiro trabalho, Das Coisas Que Aprendi Nos Discos, em agosto de 2021.
Essa experiência mudou sua relação com o legado do seu pai?
Com certeza. Ao cantar suas músicas, mergulhei não apenas na obra, mas também em quem ele era como pai e artista. Isso me ajudou a entender melhor seu papel na minha vida.
Você frequentava os lugares que seu pai costumava ir?
Sim, sendo de Fortaleza, sempre estive em locais que ele frequentava, como o Centro Cultural Belchior. Mas, como não estava inserida no mundo da arte, meu contato com seus amigos só começou quando decidi seguir a carreira musical.
O que você pensa sobre os tropicalistas?
Acredito que o movimento tropicalista foi fundamental para a música brasileira, e meu pai também tinha apreço por ele. As provocações entre os artistas são parte da cultura musical, e é importante discutir essas nuances.
Sua escolha pelo Direito teve alguma influência do seu pai?
Queria ser auditora fiscal e trabalhar com direitos trabalhistas, mas a vida nos leva por caminhos diferentes.
Você tem lembranças marcantes de seu pai?
Uma memória forte é quando ele me levava aos shows. Essas experiências me deram a coragem de seguir sua trajetória.
Belchior passou por um momento de reclusão em 2007. Você conhece o projeto com o qual ele se envolveu?
Não conheço pessoalmente, mas sou grata ao movimento que o acolheu. Acredito que ele se identificou com a proposta e isso fez parte de sua busca por novos caminhos.
E quanto ao seu futuro na música, o que você planeja?
Estou focada na celebração dos 80 anos do meu pai e expandindo meu trabalho pelo Sudeste. Quero também buscar novos compositores e trazer ideias frescas para a música popular brasileira.
Você tem se apresentado com outros grandes nomes da música. Como tem sido essa experiência?
É incrível. Desde o início da minha carreira, tive a chance de cantar com artistas como Elba Ramalho e Amelinha, e a acolhida deles representa a continuidade da energia do meu pai.
Você tem reflexões sobre a situação política do Brasil?
Acredito que a democracia é fundamental e devemos estar atentos às escolhas que fazemos para manter a integridade social.
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