Fictor fechou negócio de R$ 500 milhões com Vorcaro ...
Fictor fechou um negócio de R$ 500 milhões com Vorcaro antes de anunciar a aquisição do Banco Master
Publicada originalmente às 05h12.
Um mês antes de divulgar a tentativa frustrada de compra do Banco Master, o grupo Fictor celebrou um contrato no valor de R$ 500 milhões com a Titan Capital Holding, empresa de Daniel Vorcaro registrada nas Ilhas Cayman, que concentra seus investimentos pessoais. O documento, obtido com exclusividade pelo ICL Notícias, foi assinado em 16 de outubro de 2022.
De acordo com o acordo, a Titan vendeu à Fictor Holding S/A as cotas que possuía no fundo Krispy, que era composto majoritariamente por créditos de ações judiciais. Na época, o fundo era administrado pela Reag, que foi liquidada pelo Banco Central e investigada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto, respectivamente.
A Fictor Holding S/A faz parte das empresas do Grupo Fictor que protocolaram pedido de recuperação judicial no início de outubro de 2023. Após a solicitação, a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar possíveis fraudes financeiras, buscando esclarecer uma possível ligação da Fictor com crimes atribuídos ao Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no Sistema Financeiro Nacional.
A transação foi estruturada em duas etapas, conforme o contrato. Na primeira, a Fictor deveria adquirir dois precatórios relacionados à Usina São João (R$ 1,09 bilhão) e à Agro Industrial Tabu (R$ 577,33 milhões), totalizando R$ 1,6 bilhão. Esses ativos representavam 36% do patrimônio líquido do fundo Krispy, estimado em R$ 4,6 bilhões à época, segundo o documento.
A segunda etapa previa o direito — mas não a obrigação — de a Fictor comprar a totalidade das cotas restantes do fundo em até 60 dias corridos após a assinatura do contrato.
O ICL Notícias tentou contato com a assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro e do grupo Fictor, mas não obteve retorno.
O contrato determinava que o pagamento de R$ 200 milhões na primeira etapa deveria ser feito em até cinco dias após a assinatura, enquanto R$ 300 milhões deveriam ser pagos na segunda etapa, em até 60 dias.
De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, a Fictor transferiu, em 23 de outubro de 2022, R$ 30 milhões à holding de Vorcaro, justificando que o valor correspondia a parte do pagamento pelas cotas adquiridas do fundo Krispy.
A defesa de Vorcaro declarou ao jornal que a “Titan Capital Holding foi estruturada no exterior como parte do projeto de reorganização societária do grupo à época, voltado à entrada de investidores estrangeiros e à internacionalização das operações, dentro das normas legais e regulatórias aplicáveis”. Conforme reportado pelo Estado de S. Paulo, a Titan é a empresa utilizada por Vorcaro para gerenciar seus investimentos pessoais.
O contrato entre a holding e a Fictor estipulava que os pagamentos deveriam ser feitos na conta da Titan na Sefer Investimentos, corretora que atuava como representante legal da empresa de Daniel Vorcaro no Brasil. No processo de recuperação judicial, a Fictor declarou a Sefer como sua segunda maior credora, com um crédito de R$ 430 milhões a receber.
A Sefer foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de participar de um esquema de repasse de recursos para negócios ligados à família de Vorcaro.
O contrato entre a Fictor e a Titan foi assinado por volta das 21h de 16 de outubro de 2022 por Daniel Vorcaro e pelo ex-diretor do Banco Master, Ângelo Antonio Ribeiro da Silva, como representantes da holding, e por Rafael Góis, em nome da Fictor.
Um mês depois, em 17 de novembro de 2022, a Fictor anunciou a aquisição do Banco Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos, cujas identidades não foram divulgadas.
Fundada em 2022 e até então pouco conhecida no mercado financeiro, a Fictor compraria todas as ações de Daniel Vorcaro no Banco Master por R$ 3 bilhões, assumindo o controle da instituição.
Na mesma noite do anúncio, no entanto, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero, enquanto tentava embarcar para Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
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