Fictor deve R$ 430 milhões a corretora da Faria Lima alvo da Compliance Zero
Fictor deve R$ 430 milhões a corretora da Faria Lima
A informação sobre a dívida do Grupo Fictor foi revelada em um pedido de recuperação judicial protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A corretora Sefer Investimentos, um dos alvos da 2ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 14 de janeiro, é uma das principais credoras do conglomerado.
No pedido de recuperação judicial apresentado nesta segunda-feira (2), a corretora, com sede na Faria Lima, reivindica o valor de R$ 430 milhões.
A Operação Compliance Zero investiga fundos e corretoras de investimentos supostamente envolvidos em uma fraude bilionária liderada pelo Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Todos os envolvidos negam qualquer irregularidade. O caso está em fase de inquérito policial sob a supervisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma nota enviada ao g1, a Sefer negou ser credora do Grupo Fictor, afirmando que atua apenas como gestora e administradora de recursos de terceiros, e que "não realiza a concessão de crédito com recursos próprios".
O pedido de recuperação judicial do Fictor está sendo avaliado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. No documento, o grupo se compromete a saldar uma dívida total de R$ 4,257 bilhões.
Esse instrumento jurídico, regulado pela Lei de Falências, promulgada em 2005 e reformada em 2020, prevê diversas etapas para a preservação das empresas que buscam evitar a falência, como a aprovação de um plano de recuperação pelos credores, que deve ser homologado pela Justiça.
O Grupo Fictor, por meio de um consórcio que incluía investidores dos Emirados Árabes Unidos, tentou adquirir o Banco Master, mas o negócio não se concretizou devido à liquidação do banco.
Com a crise de confiança que a atingiu, o conglomerado solicita à Justiça proteção contra ações de credores, para que possa quitar sua dívida superior a R$ 4 bilhões.
Além da corretora Sefer Investimentos DTVM, os principais credores do grupo incluem:
Investidores: R$ 2,765 bilhões
American Express: R$ 891 milhões
Bônus e comissão a consultores: R$ 10,5 milhões
A advogada Giovanna Michelleto, especialista em reestruturação empresarial, afirma que é mais vantajoso para os credores resolver a situação judicial do Fictor por meio da recuperação judicial, em vez de esperar por uma eventual falência.
"Para esse grupo, a falência não parece ser a melhor estratégia, já que é um processo mais demorado e envolve um número maior de credores", explica a especialista.
Ela estima que a proposta de pagamento aos credores pode levar de seis meses a um ano para ser votada.
O pedido de recuperação judicial é regulado pela Lei de Falências brasileira, que estabelece procedimentos para garantir a sobrevivência das empresas que buscam evitar a falência.
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