Fundo Garantidor de Créditos

FGC deveria analisar risco de cada instituição antes de garantir novas captações, diz ex-diretor do BC

Análise do Risco das Instituições pelo FGC é Necessária, Afirma Ex-Diretor do BC

Sérgio Werlang, ex-diretor do Banco Central e professor da Fundação Getulio Vargas, propõe que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve avaliar o risco de cada instituição financeira antes de aprovar novas captações. Ele destaca que a garantia de até R$ 250 mil criou distorções e sugere a implementação de critérios objetivos para a concessão desse seguro.

Recentemente, o FGC enfrentou um desafio significativo devido às liquidações do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno, que resultaram em um ônus bilionário, estimado em R$ 55 bilhões. Esse montante representa quase a metade das reservas do fundo, levantando questões sobre a necessidade de reformulação nas regras de cobertura.

Werlang observa que a popularização das plataformas de investimento facilitou o acesso dos investidores a produtos como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e Letras de Crédito. No entanto, essa acessibilidade pode ter desencorajado a análise dos riscos associados a esses produtos, como evidenciado pela situação do Banco Master, que ofereceu taxas de retorno atrativas junto com a segurança do FGC.

Ele defende que o FGC implemente mecanismos que permitam distinguir o nível de risco entre as instituições financeiras, estabelecendo limites para a concessão de cobertura. Além disso, uma maior transparência sobre as comissões das plataformas de distribuição seria crucial para que investidores e FGC possam avaliar corretamente as instituições que utilizam a cobertura.

Em entrevista, Werlang afirmou que o limite de R$ 250 mil de garantia é significativo, especialmente em relação à renda média da população, e que isso iguala instituições com riscos distintos. Ele acredita que é essencial começar a considerar o risco individual de cada instituição ao decidir sobre a concessão de seguro para captações futuras.

Para realizar essa avaliação de risco, o ex-diretor sugere que o FGC utilize dados objetivos, como o índice de Basileia e índices de liquidez. Segundo ele, informações sobre a rentabilidade dos CDBs também são indicadores importantes, pois o FGC deve analisar quanto acima do CDI uma instituição está pagando, além das taxas cobradas pelas plataformas de distribuição.

Werlang ressalta que os investidores precisam estar cientes dos riscos envolvidos nas captações, especialmente no caso de liquidações, onde os ativos podem deixar de render juros até que o FGC efetue os pagamentos da garantia.

Com as recentes liquidações, o FGC teve um impacto financeiro significativo e, segundo Werlang, todas as instituições financeiras deveriam contribuir proporcionalmente ao volume de captação coberto. Ele sugere, ainda, uma pequena contribuição das plataformas de distribuição, que se beneficiam do sistema, embora não veja mudanças iminentes nesse sentido.

A discussão sobre a necessidade de mudanças nas regras do FGC se intensifica, especialmente após os eventos recentes que afetaram a confiança dos investidores.


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