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Fazendeiros e pistoleiros promovem novos ataques na TI Comexatibá e espalham fake news para confundir a população

Crescentes Tensões na TI Comexatibá: Ataques e Desinformação

Na manhã desta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, indígenas Pataxó enfrentaram um cerco nas estradas que dão acesso ao distrito de Corumbau, no município de Prado, extremo sul da Bahia. Motos, carros e helicópteros foram utilizados em uma manifestação por fazendeiros da extrema direita. Disparos de pistoleiros feriram duas turistas que se dirigiam às praias, e uma família indígena foi sequestrada.

É urgente a proteção dos povos e da população no território, assim como a apuração dos fatos e um esclarecimento amplo sobre as notícias falsas que circulam nas redes sociais.

A TI Comexatibá foi oficialmente reconhecida no final do ano passado e aguarda a continuidade do procedimento demarcatório. A inação do Estado em garantir os direitos indígenas tem sido um fator crucial para a impunidade dos invasores.

Carta do Coletivo de Lideranças da TI Comexatibá

Nós, lideranças indígenas da TI Comexatibá — povos Pataxó — viemos por meio desta carta esclarecer e repudiar os graves acontecimentos ocorridos hoje em nosso território.

1. Contexto Histórico e Político

A TI Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo Pataxó pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025, através da Portaria nº 1.073, após décadas de luta pelo reconhecimento dos nossos direitos territoriais. Apesar dessa declaração, a demarcação física e a remoção de ocupantes não indígenas ainda não foram concluídas, resultando em vulnerabilidade e insegurança jurídica para nosso povo.

2. Violência e Responsabilidades

Neste dia, recebemos relatos preocupantes de violência em vários pontos da TI Comexatibá e áreas retomadas:

- Ataques na Fazenda Bela Vista e ameaças na Fazenda Barra do Cahy.
- Sequestro de uma família indígena durante a retomada.
- Informações, ainda em verificação, de que duas turistas foram atingidas por disparos na praia.

Afirmamos categoricamente que os disparos que atingiram as turistas não foram feitos por indígenas do movimento em defesa da TI Comexatibá. Essa narrativa, amplamente divulgada nas redes sociais, desconsidera a realidade e as informações que recebemos de nossos membros. O que ocorre é uma escalada de ações por grupos armados, especialmente fazendeiros, que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública.

3. Ação de Fazendeiros e Divisão nas Comunidades

É notória a atuação de fazendeiros e grupos ruralistas na região, não apenas na disputa territorial, mas também na manipulação de atores locais que prejudicam o interesse coletivo indígena. Relatos indicam que fazendeiros têm usado lideranças fragilizadas de aldeias vizinhas para promover conflitos internos, dividindo nossas comunidades e disseminando versões distorcidas dos fatos, em favor das ocupações ilegais.

Esse fenômeno de cooptação enfraquece nossa luta legítima pelo reconhecimento e proteção do território, alimentando tensões entre nossos próprios povos.

4. Repúdio à Violência e Apelo por Proteção

Reafirmamos nosso repúdio a qualquer forma de violência. A defesa da vida e da dignidade do nosso povo é inegociável. Exigimos:

- Investigações imparciais e transparentes sobre os episódios de violência.
- Que as versões oficiais evitem a disseminação de narrativas falsas que criminalizam o movimento indígena.
- Reconhecimento da responsabilidade de atores externos, especialmente fazendeiros, nos incidentes de violência.
- Medidas emergenciais de proteção às comunidades indígenas da TI Comexatibá.

5. Nossa Luta e Compromisso

Nossa mobilização é uma luta por direitos constitucionais e pela preservação de nossa cultura e modos de vida. Não aceitaremos que a violência de grupos armados e a propagação de desinformação fragilizem nossa luta legítima.

Seguiremos firmes na defesa de nossos direitos, com coragem e responsabilidade, reafirmando que justiça e verdade são pilares essenciais para a convivência pacífica em nosso território.

Coletivo de Lideranças Indígenas da TI Comexatibá — Povo Pataxó
Prado, 24 de fevereiro de 2026


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