Retatrutida

Farmacêutica do Paraguai anuncia retatrutida antes do fim das pesquisas e sem aprovação sanitária

Farmacêutica paraguaia anuncia remédio baseado em retatrutida sem aprovação

A farmacêutica paraguaia Eticos organizou um evento na sexta-feira, 27, para divulgar um futuro lançamento: o Redufast, um medicamento desenvolvido com a retatrutida. Este composto atua em três hormônios, prometendo resultados significativos na perda de peso, superando os tratamentos atuais disponíveis no mercado. No entanto, a retatrutida ainda está em fase de pesquisa e a Eli Lilly, responsável pela criação da molécula, não informou sobre a submissão do produto a órgãos reguladores ou seu lançamento.

O evento contou com a presença de celebridades e influenciadores brasileiros, como o influencer fitness Renato Cariani e a atriz Deborah Secco, sendo amplamente divulgado nas redes sociais.

A Eticos esclareceu que o evento não marcava o lançamento do medicamento e que “nenhum produto farmacêutico será lançado no mercado sem a aprovação prévia das autoridades regulatórias internacionais competentes.”

A Dinavisa, agência sanitária paraguaia similar à Anvisa, informou que o produto anunciado não possui registro sanitário nem autorização para comercialização no país, e não há aprovação por autoridades regulatórias reconhecidas.

“O produto mencionado não está autorizado para importação, fabricação, distribuição, promoção ou comercialização em território nacional. Não existem garantias verificadas quanto à sua qualidade, segurança e eficácia. Qualquer promoção ou publicidade relacionada carece de respaldo sanitário oficial”, declarou a entidade reguladora paraguaia.

A Eticos é a mesma fabricante da caneta Lipoless, um medicamento à base de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) que teve sua venda proibida no Brasil pela Anvisa devido à falta de avaliação de eficácia e segurança no país. Apesar disso, muitos brasileiros acessam a caneta de forma clandestina.

“O grau de confiabilidade desses produtos é baixo e constitui risco à saúde pública”, destacou Alexandre Hohl, endocrinologista e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em reportagem sobre medicamentos paraguaios importados.

A venda de medicamentos que alegam conter retatrutida é ilegal e oferece sérios riscos, uma vez que a molécula ainda está em fase de estudos e não foi lançada pela empresa que a desenvolveu.

O endocrinologista Clayton Macedo, também da Abeso, expressou preocupação com o anúncio da Eticos. “Nós não temos dados de segurança e eficácia nem da versão original”, enfatizou. Ele alertou que o evento pode abrir espaço para prescritores que atuam de maneira inadequada.

Macedo mencionou os riscos associados a medicamentos irregulares, que não têm aprovação da Anvisa: “Essas moléculas precisam ter um grau de pureza acima de 99%, e dados indicam que essa pureza, quando se trata de outras moléculas, fica em média apenas em 14%.” O médico também alertou que problemas de conservação podem resultar em compostos desconhecidos, aumentando as chances de reações alérgicas e intoxicações.

Ele ressaltou que, após a liberação de canetas para obesidade nos Estados Unidos, houve um aumento nas internações por complicações. “No caso da retatrutida, não há autorização em lugar nenhum do mundo. Portanto, isso é temeroso, ilegal e criminoso.”

Em 2023, foram divulgados resultados de fase 2 de um estudo envolvendo 338 indivíduos com sobrepeso ou obesidade. Após um ano de tratamento, a perda média de peso foi de 24,2%, conforme publicado no The New England Journal of Medicine.

Apesar dos resultados promissores, somente na fase 3, que está em andamento, será possível verificar a sustentação dos resultados. Esta fase, realizada com um número maior de participantes, fornecerá dados mais confiáveis sobre a segurança da molécula.


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