Familiares de Marielle e Anderson dizem que decisão do STF é recado contra impunidade
Familiares de Marielle e Anderson afirmam que decisão do STF é um recado contra a impunidade
25/02/2026 21h44
Atualizado 11 minutos atrás
Os parentes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes se pronunciaram nesta quarta-feira, 25, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou os mandantes dos assassinatos de ambos. Segundo eles, essa ação representa um combate à impunidade e um enfrentamento à violência política, especialmente em relação a questões de gênero e raça. O desfecho do caso, após oito anos de espera e dois dias de julgamento, trouxe um sentimento de justiça.
A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, Anielle Franco, enfatizou a necessidade de confrontar a mentalidade de uma parte da sociedade que tenta minimizar o assassinato da vereadora. Ela afirmou: “Isso hoje também é um recado a uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela que todo ano eleitoral traz a minha irmã como um elemento descartável.”
Em relação ao caso, o STF determinou que os réus indenizem as famílias das vítimas em R$ 7 milhões. A Primeira Turma do Supremo condenou, por unanimidade, os mandantes do crime ocorrido em 2018.
Anielle ressaltou a importância de preservar a memória da irmã e declarou que a violência política de gênero e raça que vitimou Marielle precisa ser completamente extinta no Brasil para que outras mulheres possam ocupar os mesmos espaços de forma segura.
Marinete da Silva, mãe de Marielle, expressou gratidão pelo trabalho das instituições envolvidas, destacando a atuação do Ministério Público e da Defensoria Pública, além da cobertura da imprensa. Ela comentou: “É um alívio. A pergunta que ecoava no mundo era quem mandou matar Marielle, e hoje estamos vendo a resposta. Tivemos uma justiça digna e saímos de cabeça erguida.”
Durante o julgamento, Marinete passou mal, assim como seu marido, Antônio da Silva, que enfrentou picos de pressão alta. A neta, Luyara Santos, também apresentou sinais de mal-estar e foi retirada do plenário em cadeira de rodas.
Atualmente diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, Luyara afirmou que a decisão do STF honra os votos dos milhares de eleitores de sua mãe. “Se chegamos aqui hoje, é porque por oito anos ecoamos a pergunta de quem mandou matar Marielle”, destacou.
A vereadora Monica Benicio, viúva de Marielle, concordou com Anielle ao afirmar que a decisão do STF envia uma mensagem clara às milícias e grupos criminosos do Rio de Janeiro: a Justiça não permitirá que casos como esse fiquem impunes.
“Que o caso da Marielle sirva de alerta àqueles que, na certeza da impunidade, como vários Brazões que ainda existem no Rio de Janeiro e no Brasil, que esse tipo de violência não será mais aceito”, afirmou.
A também viúva Agatha Arnaus, esposa de Anderson Gomes, expressou esperança em meio à violência que ainda assola o Rio de Janeiro. Essa visão foi compartilhada por Fernanda Chaves, a única sobrevivente do atentado, que chamou a decisão do STF de histórica.
“Quando compreendemos que o Brasil historicamente tem dificuldade em condenar mandantes de grandes crimes, hoje o Estado brasileiro envia um recado claro de que crimes como esse, um feminicídio político, não serão tolerados”, ressaltou.
A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Ronald Alves de Paula, Rivaldo Barbosa e Robson Calixto por arquitetar e tentar acobertar os assassinatos. Todos estão presos preventivamente até o trânsito em julgado da condenação e negam as acusações.
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, foi acompanhado integralmente pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
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