Exército do México mata ‘El Mencho’ Oseguera, poderoso narcotraficante do país
Exército do México elimina ‘El Mencho’ Oseguera, líder do narcotráfico
Uma intensa onda de violência tomou conta do país após a operação contra o criminoso.
No último domingo, dia 22, o Exército mexicano anunciou a morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera, um dos mais poderosos narcotraficantes do México, durante uma operação que impactou fortemente o estado de Jalisco. A presidenta Claudia Sheinbaum fez um apelo à população pedindo calma diante da situação.
Para prevenir um possível aumento da violência, pelo menos oito dos 32 estados do México decidiram suspender as aulas presenciais nesta segunda-feira, dia 23. O Poder Judiciário também informou que juízes poderiam manter os tribunais fechados se necessário.
Após as prisões de Joaquín Guzmán “El Chapo” em 2016 e Ismael “Mayo” Zambada em 2024 – ambos atualmente detidos nos Estados Unidos – El Mencho, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), tornou-se o narcotraficante mais procurado pelos EUA, que ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares.
A porta-voz do presidente Donald Trump, Karoline Leavitt, confirmou via rede social X que os Estados Unidos forneceram apoio de inteligência para a operação que resultou na eliminação de Oseguera.
Com 59 anos, o narcotraficante foi ferido durante um confronto em Tapalpa, em Jalisco, e morreu enquanto era transportado para a Cidade do México, segundo informações do Exército.
Sete criminosos foram mortos e três militares ficaram feridos durante a ação. Dois membros do CJNG foram presos e diversas armas, incluindo lançadores de foguetes, foram apreendidas.
Como resposta à operação, o cartel iniciou uma série de atos violentos em diversos estados. Homens armados bloquearam estradas em Jalisco com veículos incendiados. Restos de carros carbonizados eram visíveis ao longo das rodovias, enquanto sirenes de segurança podiam ser ouvidas.
Os bloqueios e incêndios se espalharam para Puerto Vallarta, Michoacán, Puebla, Sinaloa, Guanajuato e Guerrero, entre outros locais.
Claudia Sheinbaum pediu aos cidadãos que se mantivessem "informados e calmos".
María Medina, funcionária de uma loja que foi incendiada, relatou à AFP que pensou que seria sequestrada por homens armados que invadiram o local.
Após o pedido para que os moradores não saíssem de casa, a cidade entrou em um estado de paralisação. Estabelecimentos comerciais fecharam e apenas os serviços de emergência operavam, tentando controlar os incêndios.
Oito horas após a operação, muitas rodovias ainda estavam bloqueadas por armados. Segundo as autoridades, quase 90% dos 229 bloqueios registrados foram desativados até as 20h00.
Devido à situação de violência, três partidas de futebol foram suspensas no domingo. O Departamento de Estado dos EUA recomendou que seus cidadãos buscassem abrigo no México, enquanto companhias aéreas do Canadá e dos EUA cancelaram diversos voos.
O governo de Donald Trump elogiou a operação que resultou na morte de Oseguera, considerando-a um marco significativo para a luta contra o narcotráfico.
A morte de El Mencho ocorre em um contexto de pressão do governo dos EUA para que o México combata o envio de drogas, especialmente o fentanil. Trump já ameaçou impor tarifas às exportações mexicanas, alegando que o governo de Sheinbaum não tem agido o suficiente.
O CJNG, formado em 2009, é considerado uma das organizações de narcotráfico mais violentas do México, classificada pelos EUA como uma organização terrorista, sendo acusada de tráfico de diversas substâncias ilícitas.
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