Exercício protege o cérebro contra Alzheimer, diz estudo
Cientistas da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriram um mecanismo biológico que relaciona a prática de exercícios físicos à proteção do cérebro contra o envelhecimento. A pesquisa revelou que a diminuição de uma proteína chamada TNAP restaurou a barreira hematoencefálica e melhorou a memória em camundongos mais velhos. O estudo foi publicado na revista Cell.
A descoberta estabelece uma nova via de comunicação entre o corpo e o cérebro durante a atividade física. O fígado libera a enzima GPLD1 na corrente sanguínea quando os camundongos se exercitam. Essa enzima se desloca até os vasos sanguíneos ao redor do cérebro, removendo a TNAP da superfície das células que compõem a barreira hematoencefálica.
Experimentos demonstram três efeitos principais
Os pesquisadores conduziram experimentos com camundongos de 2 anos, correspondendo a cerca de 70 anos em humanos. A redução dos níveis de TNAP resultou em três efeitos principais: a barreira hematoencefálica teve menor permeabilidade, houve redução da inflamação e os animais melhoraram seu desempenho em testes de memória.
A barreira hematoencefálica é uma rede compacta de vasos sanguíneos que protege o cérebro de substâncias prejudiciais na corrente sanguínea. Com o envelhecimento, essa barreira se torna mais vulnerável, permitindo que compostos nocivos entrem no tecido cerebral, o que está associado ao declínio cognitivo e a distúrbios como a doença de Alzheimer.
Acúmulo de proteína enfraquece proteção cerebral
A TNAP se acumula nas células da barreira hematoencefálica com o envelhecimento dos camundongos, o que enfraquece essa barreira e aumenta sua permeabilidade. Camundongos jovens geneticamente modificados para produzir níveis elevados de TNAP também apresentaram problemas de memória e cognitivos semelhantes aos de animais mais velhos.
Pesquisa anterior revelou papel da enzima GPLD1
Anos antes, a equipe havia identificado que camundongos ativos produziam níveis mais altos da enzima GPLD1 em seus fígados, que parecia rejuvenescer o cérebro. No entanto, a questão de como essa enzima proporcionava benefícios cognitivos continuava sem resposta, já que não conseguia atravessar a barreira hematoencefálica. A nova pesquisa esclarece essa dúvida.
Para entender como a GPLD1 exerce seus efeitos, os cientistas focaram na sua principal função: cortar proteínas específicas na superfície celular. Eles investigaram tecidos que continham proteínas-alvo e suspeitaram que algumas delas poderiam se acumular com a idade. As células da barreira hematoencefálica se destacaram por conter diversos alvos potenciais da GPLD1, sendo que apenas uma proteína, a TNAP, foi cortada.
Testes confirmam importância da proteína
Experimentos adicionais corroboraram a importância da TNAP. Os testes mostraram que a redução dessa proteína em camundongos idosos resultou em melhorias na barreira cerebral, na inflamação e na memória.
“Esta descoberta revela como o corpo é relevante para entender o declínio cerebral com a idade”, afirmou Saul Villeda, diretor associado do Instituto de Pesquisa sobre Envelhecimento Bakar da UCSF.
“Conseguimos explorar esse mecanismo no final da vida dos camundongos e ainda assim obtemos resultados positivos”, comentou Gregor Bieri, pesquisador de pós-doutorado e coautor do estudo.
Possibilidades terapêuticas futuras
As descobertas sugerem que o desenvolvimento de medicamentos que possam cortar proteínas como a TNAP pode oferecer uma nova estratégia para restaurar a barreira hematoencefálica, mesmo após seu enfraquecimento devido ao envelhecimento.
“Estamos desvendando uma biologia que a pesquisa sobre Alzheimer tem amplamente negligenciado”, disse Villeda. “Isso pode abrir novas possibilidades terapêuticas que vão além das estratégias tradicionais, que se concentram quase exclusivamente no cérebro.”
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