Exclusivo: Vaga estratégica no BC trava e acende alerta entre bancos
Vaga no Banco Central gera apreensão entre instituições financeiras
A indefinição sobre a nova direção da Organização e Resolução do Sistema Financeiro do Banco Central tem gerado preocupações no mercado financeiro. A situação se agrava após a recusa de Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em assumir o cargo, o que levanta alertas entre os bancos.
A importância da vaga é evidente, especialmente em relação a questões delicadas que devem ser tratadas neste ano, como a situação do Banco de Brasília (BRB) e as operações do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O governo havia considerado Vilain para a posição, visto sua vasta experiência no setor bancário e seu conhecimento sobre os principais players do mercado. Contudo, ele declinou a proposta por motivos pessoais.
Outro nome cogitado para a diretoria é o do economista Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No entanto, sua confirmação ainda está em dúvida.
A experiência de Vilain é valorizada, principalmente por sua atuação prática em questões bancárias e por sua imparcialidade em relação a segmentos específicos do setor. Ele é engenheiro industrial formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já foi sócio da Oliver Wyman, uma consultoria de renome no setor financeiro. Antes de se juntar à ABBC, atuou na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), onde lidou com questões como open finance e Pix.
A diretoria em questão é crucial em um ambiente onde a competição entre grandes, médios bancos e fintechs se intensifica. Sob a liderança de Gabriel Galípolo, o Banco Central busca equilibrar a estabilidade financeira com a promoção da competição e inovação.
A recente falência do Banco Master evidenciou as tensões entre diferentes segmentos bancários, que já estavam em ebulição. Durante 2025, grandes bancos se opuseram publicamente a fintechs em temas como tributação.
Representantes de grandes instituições financeiras criticam as ações do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que, segundo eles, favoreceram pequenos bancos em detrimento da estabilidade do sistema.
Um dos pontos críticos envolve o sistema de seguro depósito do FGC, que permitiu ao Banco Master adotar posturas arriscadas, transferindo os riscos para terceiros.
O Banco Central está reavaliando esse sistema de seguro, buscando um equilíbrio entre os interesses de grandes bancos, bancos médios, fintechs e plataformas de investimento que oferecem produtos garantidos pelo FGC.
Haddad também apresentou Cavalcanti ao BC junto com o secretário de política econômica, Guilherme Mello, mas não detalhou as áreas que cada um ocuparia. Cavalcanti, embora tenha experiência em pesquisa sobre competição bancária e custo de crédito, não é um especialista em regulação.
Atualmente, existem duas vagas abertas no Banco Central: uma na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que foi liderada até dezembro por Renato Gomes, e outra na diretoria de Política Econômica, ocupada por Diogo Guillen, cujo mandato terminou em 31 de dezembro.
A diretoria de Política Econômica desempenha um papel fundamental na definição das metas de inflação e nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), além de coordenar estudos econômicos e preparar a comunicação oficial.
Nos últimos anos, essa diretoria tem sido ocupada por economistas com experiência no setor privado, o que é considerado essencial para a tomada de decisão e para a comunicação clara das políticas monetárias.
O governo é responsável por indicar os nomes para a diretoria do Banco Central, que precisam ser aprovados pelo Senado. A atribuição de funções dentro da diretoria é decidida pelo presidente do Banco Central, geralmente após consultas prévias aos indicados.
Em conversas com interlocutores, Vilain afirmou que não recebeu convite para o Banco Central e indicou que, por questões pessoais, teria dificuldades em aceitar uma proposta.
← Voltar para as notícias