Excesso de oferta global deve pressionar os preços do açúcar até 2027
A safra global de açúcar 2025/26, que vai de outubro de 2025 a setembro de 2026, deve apresentar um excedente no mercado internacional. A análise é da Hedgepoint Global Markets, que antecipa mais um ciclo de elevada disponibilidade de matéria-prima no Brasil, além de uma recuperação na produção no Hemisfério Norte.
A consultoria aponta que o país deve manter uma oferta robusta para a próxima temporada 2026/27, o que deve intensificar a pressão sobre os preços. A combinação de maior produção global e a recomposição de estoques tende a manter os preços em queda nos próximos meses.
No cenário internacional, a Hedgepoint ressalta a recuperação da produção na Índia, Tailândia e México. Os Estados Unidos e a Guatemala também devem registrar boas produtividades, enquanto a China ampliará sua produção, contribuindo para o aumento da oferta global.
Diante do excedente de açúcar, a consultoria sugere que as usinas brasileiras podem redirecionar uma parte maior da cana para a produção de etanol, aproveitando a crescente demanda pelo biocombustível e buscando maior rentabilidade.
Conforme a coordenadora de Inteligência de Mercado, Livéa Coda, o fluxo comercial global deve apresentar excesso de oferta se o mix açucareiro permanecer acima de 50%. Para equilibrar o mercado, as usinas do Centro-Sul do Brasil precisarão ajustar o mix para um patamar mais próximo de 46%.
A análise também indica que um mix de 46,2%, suficiente para reduzir o excedente de açúcar, pode gerar um excesso de oferta de etanol. Nesse cenário, a estratégia mais eficaz seria estimular a demanda por etanol hidratado, alterando o perfil de consumo nos postos.
A Hedgepoint projeta que, para a temporada 2026/27, considerando uma expansão de 2,5% no ciclo Otto em ambos os cenários, o preço do hidratado deve cair para atrair maior demanda.
"Os preços nas bombas precisarão ser ajustados para incentivar o consumo de etanol em substituição à gasolina C na maioria dos estados brasileiros, até que o excedente de açúcar seja absorvido na forma de biocombustível", enfatizou Coda.
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